Termina referendo na Crimeia com alta participação, segundo organizadores

Às 16h, quatro antes do fechamento das urnas, mais de 60% dos 1,5 milhão de eleitores inscritos teriam comparecido aos locais de votação, dizem autoridades

Andrei Netto, enviado especial, O Estado de S. Paulo

16 de março de 2014 | 15h10

SIMFEROPOL - O referendo popular sobre a anexação do território ucraniano da Crimeia à Rússia acabou às 20h de hoje, horário local, com grande fluxo nas seções eleitorais. De acordo com dados parciais divulgados às 16h, 64% dos 1,5 milhão de eleitores inscritos haviam comparecido às seções para expressar-se sobre a controvérsia diplomática internacional. Embora nenhuma pesquisa de opinião tenha sido divulgada durante a semana - uma boca de urna foi realizada hoje -, não há dúvidas sobre o resultado final a favor da Rússia de Vladimir Putin.

A Crimeia é uma península do Mar Negro de possessão da Ucrânia desde 1954, quando foi doada pela Rússia por ordem do então chefe de Estado da União Soviética, Nikita Kruchtchev. Mas a região é historicamente habitada por uma maioria de russos étnicos, que foram 58% da população, frente aos ucranianos e tártaros - descendentes de turcos muçulmanos. Como a adesão dos russos da Crimeia à ideia da anexação é quase unânime, a vitória é questão de tempo.

Em Simferopol, capital da república autônoma, houve concentração de militantes pró-Rússia durante todo o dia na Praça Lenin, enquanto os ativistas pró-Ucrânia desapareceram. A maior explicação para o fenômeno é a presença ostensiva de militares e paramilitares russos e cossacos nas principais cidades da Crimeia. Fiéis a Putin, eles tomaram o Parlamento local em 24 de fevereiro e deram início ao movimento separatista, que agora chega a seu apogeu.

O resultado oficial do pleito será anunciado às 22h, horário local - 17h de Brasília. Estados Unidos e Europa, porém, já anunciaram que não reconhecerão o referendo, que estaria em contradição com o direito internacional. No sábado, em Nova York, três dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas votaram a favor de uma resolução contra a consulta popular da Crimeia, mas o texto foi vetado porque a Rússia - maior interessada - vetou. A China se absteve. O Ocidente promete anunciar amanhã uma segunda série de sanções econômicas contra Moscou em retaliação.

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