Termina sem acordo reunião de Villepin com sindicatos

A reunião sobre a polêmica lei trabalhista "Contrato de Primeiro Emprego" (CPE), realizada nesta sexta-feira entre o primeiro-ministro da França, Dominique de Villepin, e cinco confederações sindicais, terminou sem acordo, segundo representantes dos sindicatos. Como era esperado, as duas partes se mantiveram firmes em suas posições: os sindicatos exigiram a suspensão do novo contrato e Villepin, recusando-se a fazê-lo, propôs a negociação de "melhoras". "Estamos enfrentado uma recusa total", disse o secretário-geral do sindicato CFDT, Francois Chereque, depois da reunião que durou 73 minutos. "Ele conversou conosco sobre as possibilidades de fazer mudanças e melhorias e respondemos que não é isso o que estamos pedindo: se ele quer que a situação se acalme, se ele quer a abertura de negociações reais, ele deve retirar o contrato trabalhista", disse o membro do sindicato Força Trabalhista, Jean-Claude Mailly. Os sindicatos disseram, no entanto, que conseguiram fazer com que o primeiro-ministro receba no sábado os líderes das organizações estudantis, em vez de na segunda-feira, como estava programado. Villepin descreveu a reunião de sexta-feira como um "primeiro passo" e afirmou que espera mais conversas na semana que vem. Contudo, ainda é incerto como ele conseguirá resolver a crise e acalmar a onda de protestos de estudantes que resultaram no bloqueio de dezenas de universidades e violentos confrontos com a polícia. Os jovens estiveram à frente da oposição, apoiados pelos sindicatos franceses e partidos de esquerda que sentiram uma oportunidade de minar os planos de políticos conservadores, liderados pelo presidente Jacques Chirac, nas eleições do ano que vem. Protestos Na quinta-feira, agitadores infiltrados nas marchas tornaram o parque em frente ao túmulo de Napoleão em um campo de batalha. Jovens com tacos de beisebol atacaram estudantes e outros atiravam pedaços de concreto contra a polícia, que respondeu com cacetetes e gás lacrimogêneo. Em todo o país, a polícia realizou mais de 630 prisões e 90 agentes ficaram feridos, informou o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, na sexta-feira. No total foram feitas 1.420 prisões e 453 policiais ficaram feridos desde o começo dos confrontos em 11 de março, ele acrescentou. Jacques Chirac disse que a lei trabalhista deve ser aplicada e rejeitou as pressões para sua retirada dizendo que não é "um fã de uma democracia de ultimatos" A retirada poderia arruinar a agenda de Villepin. Acredita-se que ele seja o sucessor preferencial de Chirac para as eleições presidenciais de 2007.

Agencia Estado,

24 Março 2006 | 15h28

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.