Termina sem acordo reunião sobre crise nuclear iraniana

Os ministros de Relações Exteriores dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, Reino Unido, França, China e Rússia - e da Alemanha não chegaram a um acordo sobre uma resolução para impor sanções ao Irã, se o país não suspender o enriquecimentode urânio.A reunião, convocada pela secretária de Estado americana, Condoleeza Rice, durou duas horas e foiseguida de um jantar. O porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McComarck, definiu o debate como "amplo" e de "nível estratégico". Para ele, os seis países "levam a sério" a ameaçaIraniana. O porta-voz americano disse que a carta enviada pelo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a George W. Bush, propondo novos caminhos, também foi comentada. A carta, a primeira de um dirigente iraniano a um presidente dos Estados Unidos em mais de 27 anos, foi recebida com ceticismo. O embaixador dos EUA na ONU, John Bolton, considerou a iniciativa "muito típica do Irã, que tenta jogar areia nos olhos dos outros quando estão prestes a tomar uma decisão". "A atitude do Irã cria uma situação preocupante para a comunidade internacional. Todos estamos de acordo de que o Irã deve cessar suasatividades nucleares", disse o chefe da diplomacia francesa, Phillipe Douste-Blazy, o único ministro que falou à imprensa depois da reunião. Segundo o francês, um dos temas discutidos foi a oferta de incentivos ao Irã, caso cumpra as exigências da comunidade internacional, e de sanções em caso contrário. Responsabilidade"O Irã deve escolher o caminho que vai seguir e assumir sua responsabilidade. Adotando uma posição aberta, vai poder se beneficiar de programas ambiciosos no campo da energia nuclear civil, na troca de tecnologias e na segurança. Se optar por se fechar deverá enfrentar as conseqüências", acrescentou. França e Reino Unido, com o apoio dos EUA, apresentaram a minuta do documento na semana passada. O texto exige a suspensão dasatividades de enriquecimento de urânio e das pesquisas nucleares iranianas. A redação cita o Capítulo VII da Carta da ONU, que abre o caminho para futuras sanções e até uma intervenção militar. A China e a Rússia se opõem à medida e acham desnecessário criar mais pressão. O Irã sustenta que seu programa nuclear é para fins pacíficos e ameaça abandonar o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP) se o Conselho de Segurança aprovar uma resolução exigindo o fim de suas atividades.Apoio da IndonésiaAs autoridades indonésias apóiam o programa nuclear iraniano com fins pacíficos e vão defender uma resolução nesse sentido na Quinta Cúpula de Países Islâmicos em Desenvolvimento (D-8) que começa nesta terça-feira, em Bali. "Nós apoiamos o desenvolvimento nuclear para fins pacíficos, especialmente geração de energia, mas nos opomos à proliferação de armas nucleares", declarou o ministro de Relações Exteriores, Hassan Wirayuda. Wirayuda disse que a Indonésia quer ouvir as explicações iranianas. Os presidentes dos dois países deverão se encontrar quarta-feira, em Jacarta.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.