AP Photo/Anthony Vazquez
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Terremoto de 1985 no México ajudou a superar expectativas de resistência humana

Segundo especialistas, uma pessoa sobrevive em média 72 horas sob escombros; quase dois dias depois da tragédia mais recente, equipes de resgate aceleram trabalhos

O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2017 | 11h08

CIDADE DO MÉXICO - Os trabalhos de resgate na Cidade do México após o forte terremoto de 7,1 graus registrado de terça-feira 19 viraram uma corrida contra o tempo, em uma tragédia que deixou mais de 230 mortos na capital e em cinco Estados do país.

As atenções estão voltadas, especialmente, para o colégio Enrique Rebsamen, na zona sul da capital, onde mais de 20 crianças morreram. "Sabemos que há uma menina com vida dentro (da escola destruída), o que não sabemos é como chegar até ela sem provocar o risco de colapso e sem arriscar a vida dos socorristas", disse à emissora Televisa o almirante José Luis Vergara, que coordena o resgate.

Na noite de quarta-feira, socorristas afirmaram ter visto cinco menores de idade vivos, enquanto outros, com equipamentos térmicos, indicaram ter detectado ao menos três corpos com vida.

Vergara prefere, porém, não criar falsas expectativas. Ele contou que conseguiu falar rapidamente com a menina, que recebeu água e oxigênio e disse estar "muito cansada". Até o momento, 11 crianças e uma professora foram retiradas com vida dos escombros da escola.

Na zona norte da cidade, um homem e uma mulher de mais de 90 anos foram resgatados depois de passarem 26 horas presos nas ruínas de um edifício, de acordo com as autoridades locais.

Os trabalhos foram acelerados quase dois dias depois da tragédia. Segundo especialistas, uma pessoa sobrevive em média 72 horas sob os escombros. Os mexicanos lembram, contudo, que, depois do devastador terremoto de 1985, a resistência humana superou as expectativas.

A tragédia desta semana também deixou vítimas estrangeiras: Taiwan, Panamá e Espanha confirmaram mortes. "A prioridade continua sendo salvar vidas e dar atendimento médico", declarou o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto.

Reconstrução

No dia 19 de setembro de 1985, exatos 32 anos antes do terremoto desta semana, a capital mexicana ficou parcialmente destruída por um terremoto de 8,1 graus de magnitude que deixou mais de 10 mil mortos.

Com um governo ausente, os mexicanos se organizaram para reconstruir a metrópole das ruínas, mudando a história social e política da cidade.

Como em um exercício de memória coletiva, sem importar a idade - já que os moradores da capital cresceram assistindo às imagens do tremor de 1985 e participando de simulações -, em 2017, a sociedade se organizou de modo espontâneo.

Milhares de pessoas saíram às ruas e ajudaram a retirar os escombros com as mãos. Também ofereceram alimentos e água aos socorristas e desabrigados. Desta vez, contaram com a presença das autoridades e com o apoio da tecnologia do século 21.

Entre os socorristas, a imprensa destaca um civil que passou a ser chamado de "Jorge Houston", por usar uma camisa de flanela com o nome da cidade americana. Ele foi a pessoa que mais vezes entrou nos escombros da escola destruída e conseguiu levar água e oxigênio até a menina situada em meio às ruínas.

Ao mesmo tempo, várias pessoas fazem uma espécie de "turismo" pós-terremoto, com direito a "selfies" diante de prédios que desabaram ao redor da cidade. Uma das maiores “atrações” era um carro de luxo italiano que foi esmagado no bairro de Roma-Condesa, conhecido por seus bares e restaurantes e onde vivem muitos estrangeiros.

O México fica entre cinco placas tectônicas e é um dos países com maior atividade sísmica no mundo. No dia 7 de setembro, um terremoto de magnitude 8,1, o mais forte em um século no México, deixou 96 mortos e mais de 200 feridos no sul do país, especialmente nos Estados de Oaxaca e Chiapas. / AFP

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