Terremoto de 5,9 graus assusta leste dos EUA

Funcionamento de duas usinas nucleares foi interrompido na Virgínia; tremor foi sentido também em Washington e Nova York

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2011 | 00h00

Por cerca de 30 segundos, a Costa Leste dos Estados Unidos foi abalada na tarde de ontem por um terremoto de 5,9 graus na escala Richter. A intensidade foi suficiente para estremecer a Casa Branca, o Obelisco e os demais prédios da capital americana, a 171 quilômetros do epicentro, no Estado vizinho de Virgínia. Apesar do susto, não houve registro de pânico, feridos ou tumultos.

O tremor - apontado pelo Instituto Geológico dos EUA como o mais intenso registrado desde 1897 nessa área - teve como ponto inicial uma área rochosa a 6 quilômetros abaixo da superfície de Mineral, localidade próxima a Richmond, na Virgínia, por volta das 14 horas locais (15 horas no horário de Brasília). Trata-se de uma área verde, sem construções. Em Richmond, prédios históricos sofreram alguns danos, como a queda de chaminés, e vidraças de lojas estilhaçadas. O centro financeiro e comercial da cidade fechou as portas, assim como escolas e prédios públicos.

A maior preocupação das autoridades estava centrada nas duas usinas nucleares de North Ann, próximas a Richmond. Em especial, na possível repetição do trágico vazamento de gases radioativos na central nuclear de Fukushima, no Japão, em função do terremoto seguido de tsunami que atingiu e destruiu a região em 11 de março. As termonucleares de North Ann não teriam sido afetadas, pois foram construídas, em 1970, para suportar tremores de até 6 graus na escala Richter. Mesmo assim, suas atividades foram paralisadas. Quatro geradores a diesel supriram seu sistema de resfriamento.

A apenas 25 minutos do epicentro, a brasileira Julia Tiburi-Grashoff sentiu o chão de sua casa tremer e percebeu imediatamente o terremoto de maior intensidade do que os experimentados nos seus três anos no Japão, entre 1999 e 2002. O marido e a filha de 6 anos desceram do andar de cima e juntos correram para a rua, onde seus vizinhos de Mechanicsville, subúrbio de Richmond, se refugiavam.

"Eu fiquei tremendo por mais uma hora", afirmou ela, por telefone.

Amplitude. O terremoto espalhou-se como uma onda e foi sentido também nos Estados de Nova York, Pensilvânia, Carolina do Norte e Baltimore, assim como na Ilha de Martha"s Vineyard, onde o presidente dos EUA, Barack Obama, passa as férias com a família. Obama manteve uma conferência por telefone com seus principais colaboradores, entre os quais Janet Napolitano, secretária de Segurança Interna. Ele recebeu a informação de que não houve danos à infraestrutura, nem mesmo às usinas nucleares.

Em toda a região atingida, prédios e casas foram imediatamente esvaziados. Em plena temporada de verão, funcionários dos museus de Washington empurraram os visitantes para fora e fecharam suas portas. Servidores da Casa Branca, do Pentágono, dos Departamentos (Ministérios) e das agências federais saíram para as ruas.O vigoroso prédio do FBI, com altas colunas entre o térreo e o primeiro andar, parecia balançar nos 30 segundos de tremor.

A Catedral Nacional de Washington, o edifício mais alto da capital americana, foi danificada pelo tremor.

Os aeroportos da região Nordeste do país pararam de funcionar, assim como os trens da Amtrak, que ligam as principais cidades, e os sistemas de metrô.

Em Washington, o serviço de telefonia celular ficou congestionado por cerca de uma hora. Em Nova York, o prefeito Michael Bloomberg e sua equipe foram expulsos do famoso prédio da Prefeitura pela polícia.

Conforme explicou, havia "sentido uma pequena sacudida, que se fez maior em seguida". Mas, pensou que era o resultado da reforma do prédio. "Até agora, não tivemos relatos de nenhum estrago", afirmou Bloomberg.

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