Terremoto de 7,1 graus atinge região de Qinghai, no oeste da China

Tremor foi seguido por outros dois sismos e deixou pelo menos 400 mortos e milhares de feridos

Associated Press e Reuters

13 de abril de 2010 | 23h52

Centenas de construções foram destruídas pelo terremoto em Qinghai. Foto: Reprodução/Reuters

 

PEQUIM- Uma série de fortes terremotos atingiu nesta terça-feira, 13, a província oeste de Qinghai, na China, segundo a Agência de Terremotos do país, deixando um saldo de 400 mortos e dez mil feridos até o momento, de acordo com a agência Xinhua. O primeiro tremor, de magnitude 7,1, atingiu o sul de Qinghai, próximo ao Tibete, às 7h49 da manhã desta quarta-feira (hora local), e foi seguido de três tremores de 5,8 graus de magnitude na mesma região. Centenas de construções como casas, escritórios e escolas ficaram destruídas.

 

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O epicentro atingiu o vilarejo de Rima. Segundo as autoridades locais, trata-se de uma região de pastos, com baixa densidade populacional, a 50 quilômetros de Jiegu, onde fica o governo de Yushu. A capital da província, Xining, fica a 800 quilômetros de distância. O Serviço Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês) registrou o primeiro sismo com 6,9 graus de magnitude.

  

"Vejo pessoas feridas em todo lugar. O maior problema no momento é falta de abrigo, materiais hospitalares, remédios e médicos", afirmou Zhuohuaxia, um morador local à agência de notícias Xinhua.

Segundo a mídia chinesa, autoridades do condado de Yushu, uma área próxima ao epicentro, disseram que mais de 85% dos prédios da região foram derrubados pelo tremor.

"Em um segundo, as casas caíram. Foi um terremoto terrível", disse uma fonte local. O tremor acontece menos de um ano depois do terremoto de maio de 2008, que arrasou a província de Sichuan, também aldeia do Tibete.

 

Resgate

 

O presidente da China, Hu Jintao, já anunciou que enviará o vice-primeiro-ministro para supervisar os trabalhos de resgate e outros 5 mil soldados, médicos e outros profissionais par ajudar os 700 militares que iniciaram as buscas, segundo a Xinhua. O trabalho de buscas, porém, será difícil, já que a região é muito remota e não conta com nenhum aeroporto nos arredores.

 

O governo provincial prometeu o envio de 5 mil barracas e 100 mil cobertores para as vítimas do terremoto. A região fica a 4 mil metros acima do nível do mar e sofre com baixíssimas temperaturas durante a noite.

 

As equipes de resgate também tentam dar vazão à água de um reservatório que se rachou com o tremor, o que pode causar a inundação da área, segundo as autoridades chinesas.

Um morador da região disse que ainda há pessoas presas sob os escombros. Os moradores e funcionários da autoridade local tentam ajudar os soterrados. "Muitos estudantes ficaram presos sob os escombros de uma escola vocacional derrubada", disse à Xinhua o assessor da Prefeitura Tibetana Autônoma de Yushu.

O vice-diretor de notícias da estação de TV do condado de Yushu, Karsum Nyima, disse ao canal chinês CCTV que a destruição foi rápida. "Todo mundo está fora, nas ruas, em frente de suas casas, tentando encontrar seus parentes", afirmou.

 

2008 

Há dois anos, em maio de 2008, a província chinesa de Sichuan sofreu um forte terremoto, que causou a morte de 87 mil pessoas. Entre as vítimas estavam milhares de estudantes de escolas primárias. Cinco milhões de pessoas perderam suas casas na ocasião e as autoridades estimaram que o trabalho de reconstrução levaria três anos.

 

Aquele terremoto atingiu diversas escolas, matando milhares de estudantes. Construção de má qualidade e aplicação negligente dos códigos de construção vigentes agravaram a situação e causaram mais mortes.

 

A China estimou em 5.335 o número oficial de crianças em idade escolar que morreram ou desapareceram por causa do terremoto do ano passado na província de Sichuan. A cifra é bem inferior ao número compilado pela imprensa na época.

 

Dias depois do desastre, as áreas mais baixas devastadas pelo tremor foram atingidas por enchentes, formadas por águas torrenciais vindas do Lago Tangjiashan. A situação tornou-se preocupante, obrigando o governo chinês a retirar 250 mil pessoas da área e a canalizar a água às pressas para evitar mais inundações.

 

Outro terremoto foi registrado na região em agosto, danificando 258 mil casas e matando pelo menos 32 pessoas. Na época, a agência oficial chinesa Nova China informou que os prejuízos diretos causados pelo tremor tinham sido estimados entre US$ 58 bilhões e US$ 73 bilhões.

 

(Com O Estado de S.Paulo, AP e Reuters) *Atualizado às 10h49 para acréscimo de informação

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