DHA/AP
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Forte terremoto deixa ao menos 28 mortos na Turquia e na Grécia

Tremor de magnitude 7 causou maremoto na costa turca e na ilha grega de Samos

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2020 | 10h21
Atualizado 31 de outubro de 2020 | 09h57

ISTAMBUL - A Turquia registrou um forte terremoto de magnitude 7 na escala Richter, que provocou o desabamento de vários prédios, deixando pelo menos 28 mortos e mais de 800 feridos, segundo informações atualizadas no início deste sábado, 31.

O tremor, que chegou a ser sentido em Istambul e Atenas, ocorreu pouco antes das 9h (horário de Brasília) no Mar Egeu, a sudoeste de Esmirna, a terceira cidade da Turquia, e perto da ilha grega de Samos.

A magnitude do sismo, registrado a uma dezena de quilômetros de profundidade, foi avaliado pelo Instituto Geofísico Americano (USGS) com magnitude 7, e 6,8 pelas autoridades turcas. 

Pelo menos 20 edifícios ficaram destruídos em Izmir, a terceira cidade mais populosa da Turquia, com cerca de 3 milhões de habitantes, onde equipes de resgate, com cães farejadores, lutavam para alcançar as vítimas e possíveis sobreviventes em meio a uma série de vigas retorcidas e grandes pedaços de concreto de construções que desmoronaram. Cerca de 1.200 homens trabalhavam nos esforços de resgate.

Um jovem foi retirado dos destroços de um prédio e logo se reuniu com sua mãe, que acompanhava as escavações. “Meus três filhos estavam em casa. Eu não”, disse ela à TV turca. “Eles estão todos bem, sobreviveram.”

Segundo o governador de Izmir, 70 pessoas haviam sido retiradas dos escombros. As autoridades montaram tendas com capacidade para 2 mil pessoas próximas das áreas com os maiores danos. O Gerenciamento de Emergências e Desastres da Turquia (Afad, na sigla em inglês) disse que uma das vítimas morreu afogada em Izmir. Na manhã deste sábado, uma mãe turca e três de seus filhos foram retirados dos escombros após terem ficado presos por quase 18 horas. Os esforços continuam para resgatar o quarto filho. 

“Estou acostumado com terremotos. Então, não levei muito a sério no início. Mas, desta vez, foi realmente assustador”, disse Ilke Cide, estudante de doutorado que estava em Izmir no momento do tremor, acrescentando que durou, segundo ele, entre 25 e 30 segundos. Outro morador, Teoman Cuneyt Acar, disse à TV Haber Turk que o terremoto durou 45 segundos. 

Na ilha grega de Samos, dois adolescentes, um menino e uma menina, foram encontrados mortos em uma área onde um muro havia desabado. Nove pessoas também ficaram feridas. “Não há palavras para descrever como alguém se sente diante da perda dessas crianças”, disse o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis.   

Logo após o tremor, autoridades gregas pediram que os moradores da ilha, que tem uma população de 45 mil habitantes, ficassem longe das áreas costeiras em razão do risco de tsunami. “Nunca experimentamos nada parecido”, disse George Dionysiou, vice-prefeito de Samos. “As pessoas estão em pânico.”

Na Turquia, o pequeno maremoto causou inundações na cidade costeira de Seferihisar. Embora nenhuma onda destrutiva tenha sido relatada, o nível da água subitamente subiu 1 metro e inundou grande parte da cidade turística, de 44 mil habitantes, segundo a emissora NTV.

No início deste sábado, a Turquia já contabilizava 26 mortos e 885 feridos. De acordo com o serviço de emergências turco, o trabalho de resgate foi concluído em oito edifícios destruídos pelo terremoto. As equipes seguem trabalhando em outros nove.

Após o terremoto, o premiê grego telefonou para o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, para expressar suas condolências pelos mortos. Pelo Twitter, Erdogan esqueceu brevemente a rivalidade e disse que “o ato de dois vizinhos serem solidários nestes tempos difíceis tem mais valor do que muitas outras coisas”. 

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Turquia, os chanceleres dos dois países “destacaram que estão prontos para ajudar-se mutuamente em caso de necessidade”. 

A promessa é uma continuação da ajuda que a Grécia ofereceu à Turquia após o terremoto de 1999, que deixou 17 mil mortos, um gesto que permitiu a retomada das relações entre os dois países rivais. Na ocasião, a ajuda levou alguns especialistas a cunhar a frase “diplomacia do terremoto”. 

A União Europeia e a Otan também ofereceram ajuda à Turquia, disseram a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, e o secretário-geral da aliança atlântica, Jens Stoltenberg. Turquia e Grécia estão situadas sobre importantes falhas geológicas e uma das zonas sísmicas mais ativas do mundo. Por isso, os terremotos são frequentes, sobretudo no mar. / NYT, REUTERS e AFP. 

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