Marcos Pin Mendez/AFP
Marcos Pin Mendez/AFP

Terremoto no Equador deixa 246 mortos e mais de 2,5 mil feridos

Forte sismo e tremores secundários destruíram centenas de construções e bloquearam rodovias; presidente retorna com urgência da Itália, governo decreta estado de emergência em várias províncias e países vizinhos enviam equipes de resgate

O Estado de S. Paulo

16 Abril 2016 | 23h10

QUITO - Ao menos 246 pessoas morreram e mais de 2,5 mil ficaram feridas após um terremoto de 7,8 graus na escala Richter abalar o norte da região litorânea do Equador às 18h58 de sábado (20h58 de Brasília), segundo informações oficiais. Centenas de edifícios foram destruídos e diversas rodovias nas áreas afetadas permanecem fechadas.

Segundo o Serviço Geológico dos EUA, o epicentro foi registrado próximo à cidade de Pedernales, a 170 quilômetros da capital Quito, em uma região de pesca popular entre os turistas, mas pouco habitada.

O Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico informou que o terremoto provocou ondas perigosas nas costas do Equador e da Colômbia. Em Quito, o tremor foi sentido por cerca de 40 segundos, obrigando as pessoas a deixarem os prédios em que estavam.

Vários tremores secundários, alguns de até 5,6 graus, ocorreram após o terremoto.

O presidente equatoriano, Rafael Correa, retornou rapidamente de uma viagem à Itália. “A prioridade imediata é resgatar as pessoas sob os escombros”, disse em sua conta no Twitter.

No domingo, equipes de resgate usavam tratores e as próprias mãos em busca de sobreviventes nas cidades atingidas.

O vice-presidente do Equador, Jorge Glas, informou que as agências não haviam emitido alerta de tsunami. Segundo ele, até a tarde de domingo tinham sido registradas 189 réplicas de diversas intensidades do tremor, registrado entre os balneários de Cojimíes e Pedernales, na Província de Manabí e na vizinha Esmeraldas.

O governo equatoriano decretou estado de emergência nas províncias de Guayas, Santo Domingo de los Tsáchilas, Los Ríos, Santa Elena, Esmeraldas e Manabí.

Glas agradeceu pela oferta de ajuda internacional e pediu à população que não arrisque a vida para tentar resgatar móveis e utensílios dos escombros: “Depois, com muita força e profunda união virá a reconstrução”.

Caos. As informações detalhadas sobre os estragos eram escassas em razão das falhas no sistema de comunicação e do caos nos transportes. Vários bairros ficaram sem energia elétrica e sem sinal de celular, e diversas casas foram destelhadas.

“Há vilarejos que estão completamente devastados”, disse em entrevista a uma rádio o prefeito de Pedernales, Gabriel Alcivar. Ele acrescentou que “dezenas e dezenas” morreram na região. “O que ocorreu aqui em Pedernales é catastrófico.” O prefeito também afirmou que está “tentando fazer o melhor que pode, mas não há muita coisa a fazer”.

Alcivar pediu às autoridades que enviem tratores e equipes de resgate para ajudar a encontrar as pessoas que estão sob os destroços. “Não foi apenas uma casa que desabou. Foi uma cidade inteira”, disse.

Imagens de Pedernales feitas pela emissora local Televicentro mostram moradores usando um pequeno trator para remover os escombros. Muitas mulheres choravam após um corpo ser retirado. Segundo moradores locais, crianças estariam presas sob destroços.

Na cidade de Guayaquil, a maior do Equador, escombros enchiam as ruas e uma ponte estava caída sobre um carro. No entanto, não havia relatos de mortos ou feridos. “Foi aterrorizante, estávamos todos apavorados e ainda estamos nas ruas porque estamos com medo de novos tremores”, disse o segurança Fernando Garcia.

Cerca de 13,5 mil homens das forças de segurança foram mobilizados para manter a ordem em todo o Equador e, segundo o governo, US$ 600 milhões em crédito foram imediatamente liberados para a emergência.

O Equador, membro da Opep, afirmou que a produção de petróleo não foi afetada, mas a refinaria de Esmeraldas teria sido fechada por precaução.

Este é o pior terremoto no Equador desde 1979, quando 600 pessoas morreram e 20 mil ficaram feridas, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA.

Ajuda internacional. De acordo com o governo equatoriano, Venezuela e México enviaram equipes de socorro e suprimentos.

Um grupo de 25 socorristas de El Salvador também foi enviado ao Equador para auxiliar nas tarefas de resgate, informou o Corpo de Bombeiros salvadorenho.

A Colômbia, por sua vez, ativou um plano para apoiar os equatorianos com 50 socorristas e 2 cães farejadores que embarcaram em um avião da Força Aérea colombiana.

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, ofereceu ajuda a Correa e disse que ela já estava a caminho. O líder do Panamá, Juan Carlos Varela, enviou ao povo do Equador sua “profunda solidariedade neste momento de dificuldade”, informou nas redes sociais. /Associated Press, EFE e Reuters

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