Terremoto deixa milhares de órfãos no Haiti

O paciente de 5 meses do hospital de campanha israelense é conhecido por um número em vez de um nome. Ninguém sabe quem levou a criança quase inconsciente no centro médico depois que ele foi retirado dos escombros de um prédio quatro dias após o terremoto. Agora que o menino está se recuperando, os médicos têm uma difícil decisão a tomar. "O que faremos com ele quando estiver bom?", questiona o doutora Assa Amit, do departamento de emergência pediátrica do hospital. Ninguém sabe quem são os familiares da criança ou se algum de seus parentes está vivo.

AE-AP, Agencia Estado

19 de janeiro de 2010 | 15h35

Dezenas de milhares de crianças ficaram órfãs por causa do terremoto, dizem grupos de ajuda humanitária. Eles são tantos que seus funcionários não se aventuram a contar. Com tantos prédios destruídos e o caos na capital, é concebível que muitas crianças estejam sozinhas.

Mesmo antes do terremoto de 7 graus, ocorrido na terça-feira da semana passada, o Haiti - um dos países mais pobres do mundo - já tinha uma grande quantidade de órfãos, 380 mil crianças vivendo em orfanatos ou outro tipo de abrigo, segundo informações do site do Fundo para a Infância da Organização das Nações Unidas.

Algumas das crianças perderam seu pais em desastres anteriores, dentre eles quatro tempestades tropicais e furacões que mataram cerca de 800 pessoas em 2008, grandes tempestades em 2005 e 2004, e enchentes que acontecem quase anualmente desde 2000. Outras foram abandonadas em meio ao longo conflito político no país caribenho, o que levou milhares de pessoas a buscar asilo nos Estados Unidos - sem seus filhos - ou por pais que simplesmente são muito pobres para cuidar deles.

Grupos de defesa internacionais tentam ajudar, ou apressando processo de adoção já em andamento, ou enviando pessoal que pode potencialmente evacuar milhares de órfão para os Estados Unidos e outros países.

Adoções

Na segunda-feira, o governo holandês enviou um avião cheio de funcionários de imigração para o Haiti. Eles vão tentar localizar e retirar do território haitiano 100 crianças que já estão sendo adotada por holandeses.

Também nesta segunda-feira, a instituição Kids Alive International, que gerencia orfanatos em todo o mundo, deve levar 50 órfãos haitianos para abrigos na República Dominicana, informou a organização em comunicado.

O porta-voz do departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, Sean Smith, disse ontem que órfãos que tenham ligação com os Estados Unidos - como familiares que já morem no país - estão dentre os que podem receber permissão especial para continuar em território norte-americano.

Apesar da política norte-americana, a igreja católica de Miami elabora uma proposta pela qual seria permitida a entrada permanente de milhares de órfãos em território norte-americano. Medida semelhante lançada em 1960 levou cerca de 14 mil crianças desacompanhadas de Cuba para os Estados Unidos.

Pelo novo plano, conhecido como "Pierre Pan", órfãos haitiano seriam primeiro levados para abrigos e então entregues a pais adotivos, disse Mary Ross Agosta, porta-voz da Arquidiocese de Miami. "Temos crianças que estão desabrigadas e possivelmente sem pais e esta é a atitude moral e humana que devemos tomar", disse Agosta.

Funcionários da arquidiocese disseram que muitos detalhes têm de ser concluídos e que o governo do presidente Barack Obama terá de conceder indulto humanitário para que os órfãos entrem no país.

Enquanto isso, o chefe da agência humanitária da ONU, John Holmes, disse que a entidade está estabelecendo um grupo cuja missão no Haiti é proteger as crianças - órfãs e não órfãs - contra o tráfico, sequestro e abuso sexual.

Tudo o que sabemos sobre:
Haititerremotoórfãosadoções

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.