Terremoto deixa quase 5 milhões de desabrigados na China

Número vem à tona após sistema de comunicação ter sido restaurado; tremores secundários ameaçam região

BBC,

16 de maio de 2008 | 15h16

Autoridades chinesas informaram nesta sexta-feira, 16, que quase cinco milhões de pessoas perderam suas casas depois do terremoto que devastou a província de Sichuan, no sudeste da China. Os oficiais acrescentaram que a extensão do problema só ficou clara após o serviço de comunicação ter sido restaurado. Até agora, cerca de 22 mil são dados como mortos, e milhares continuam desaparecidos. A mídia estatal divulgou que o número de vítimas pode chegar a 50 mil.   China enterra mortos em meio a novos tremores Diminui esperança de achar sobreviventes do tremor na China Ouça o relato da jornalista Cláudia Trevisan  Mapa da destruição na China  Entenda como acontecem os terremotos  Especial: antes de depois da tragédia Vídeo com imagens do terremoto  Vídeo com imagens do resgate  Imagens da destruição    Em visita à província, o presidente da China, Hu Jintao, disse que os trabalhos de resgate estão na fase crucial. O primeiro-ministro Wen Jiabao declarou que o tremor, de 7,9 graus de magnitude, foi o mais amplo e destrutivo desde a fundação da República Popular, em 1949. Para o premiê, a escala do desastre foi maior que a do terremoto Tangshan em 1976, que deixou 240 mil mortos.   Tremores secundários - um chegou a 5.9 graus na escala Richter - continuam a atingir a região, provocando deslizamentos de terra e soterrando veículos. Por conta deles, as comunicações, que haviam sido restabelecidas, foram novamente interrompidas.   Prioridades   O vice-governador de Sichuan, Li Chengyun, disse que 4,8 milhões de pessoas estão em "abrigos temporários". Autoridades locais afirmaram que, devido às estradas e comunicações cortadas, não foi possível mensurar antes o número correto de pessoas que perderam as suas casas.   "Por isso o número cresceu rapidamente assim que as comunicações e estradas foram religadas em algumas cidades", explicou um oficial. A procura por sobreviventes continua intensa nesta sexta.   "Neste momento, os trabalhos de ajuda entraram na fase mais crucial. Nós precisamos fazer todos os esforços, correr contra o tempo e superar todas as dificuldades para alcançar a vitória final", disse Hu.   Wen pediu que as autoridades garantam a estabilidade social, já que a frustração cresce entre os sobreviventes, muitos dos quais perderam tudo e vivem em barracas ou ao relento."Se houver o mínimo de esperança, não vamos poupar esforços. Se houver um sobrevivente nos escombros, não vamos desistir", disse o premiê, sobre os escombros de uma escola onde centenas estão soterrados.   Resistência   Milhares de moradores de Beichuan, uma das áreas mais atingidas pelo tremor de segunda-feira, de magnitude 7,9, pegaram a estrada para sair da cidade, levando bebês, bolsas e malas em busca de abrigo.   Um corpo jazia do lado de uma estrada, abandonado por alguém que não conseguia mais carregá-lo. Pedras do tamanho de carros também estão por toda parte, sinal dos deslizamentos de terra causados pelo terremoto. A cidade foi devastada - quase todos os prédios foram demolidos ou danificados e não podem mais ser habitados.   Ao sul, na vila de Houzhuang, os moradores dizem que resistem sozinhos, já que as equipes de ajuda ainda não chegaram até eles. "Comemos um pouco de milho, mas agora estamos com diarréia depois de beber água de um fosso por dois dias", disse um morador, de apelido Liu.   "Agora estamos tentando tirar coisas dos escombros para usar, como roupas, mas estamos com muito medo de que haja outro terremoto, então temos que ter muito cuidado", disse.   Avanços   A China mobilizou 130 mil militares e paramilitares para as áreas do desastre, mas com as estradas destruídas ou bloqueadas, fica difícil levar ajuda às áreas mais afetadas. As regiões vizinhas também sofrem, com mais de 50 mil desabrigados apenas em um condado da província de Gansu, ao norte do país, disse a Xinhua. Mas houve também pequenas vitórias.   A equipe de resgate salvou uma criança das ruínas de uma escola em Beichuan, 80 horas depois dela ser atingida pelo tremor. Eles disseram que podiam ouvir pedidos de ajuda entre os escombros, segundo a Xinhua. Três outras pessoas foram salvas na sexta-feira, duas nos escombros de um prédio de escritórios e outra, entre as ruínas de um hospital.   Além disso, 483 crianças e professores escaparam ilesos de uma escola destruída em Beichuan.   (Com Reuters)

Tudo o que sabemos sobre:
Chinaterremoto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.