Terremoto já matou mais de 40 mil em província chinesa

Pessoas dormem nas ruas após alerta de novo tremor; homem é resgatado após mais de 179 horas soterrado

Agências internacionais,

20 de maio de 2008 | 07h18

A China informou nesta terça-feira, 20, que o número de mortes provocadas pelo forte terremoto que atingiu o país subiu para mais de 40 mil somente na província de Sichuan. Os números, divulgados pelo Centro Nacional de Controle e Prevenção de Desastres, mostram ainda que mais de 247 mil foram feridos pelo tremor de 8 graus de magnitude que atingiu o país no dia 12 de maio.   Veja também: Catástrofe deve reduzir crescimento chinês  Risco de réplica assusta sobreviventes Sobrevivente é retirada depois de 195 horas Ouça o relato da jornalista Cláudia Trevisan  Mapa da destruição na China  Entenda como acontecem os terremotos  Especial: antes de depois da tragédia Vídeo com imagens do terremoto    Anteriormente o número oficial de mortos era de 34 mil pessoas, embora autoridades afirmem que o número total de vítimas fatais pode superar os 50 mil. Pequim afirmou ainda que enfrenta problemas para dar abrigo para os mais de 5 milhões de sobreviventes, enquanto a região permanece em alerta pela possibilidade de novos tremores. Outras 32.361 continuam desaparecidas, segundo o gabinete chinês.   Na noite desta terça-feira (horário local), dezenas de milhares de pessoas dormiram nas ruas depois que o governo alertou para a possibilidade de um novo tremor de grande magnitude. O comunicado do Departamento Nacional de Sismologia, lido em cadeia nacional, provocou pânico, levando milhares de chineses a deixar suas casas em busca de áreas seguras. Munidas de travesseiros e cobertores, as pessoas lotavam carros que trafegavam pelas estradas que ligam a capital de Sichuan, Chengdu, a locais planos e abertos, na zona rural.   As equipes que trabalham no distrito de Wenchuan, epicentro do terremoto, conseguiram resgatar dos escombros de uma central hidrelétricas um homem que estava soterrado há 179 horas (sete dias e meio), informou a agência oficial Xinhua. Ma Yuanjiang, de 31 anos e um dos chefes executivos da central, foi resgatado por uma equipe da cidade de Xangai, no leste do país. Centenas de sobreviventes da tragédia conseguiram suportar a vários dias soterrados, apesar de alguns médicos assegurarem que as possibilidades eram mínimas após três ou quatro dias.   Apesar dos resgates e da crescente ajuda internacional, uma atmosfera triste marca a busca de corpos no segundo dia de luto decretado pelo governo, um gesto sem precedentes para os mortos, já que o luto é declarado apenas para os dirigentes nacionais falecidos, sendo que o último anuncio foi pela morte de Mao Tsé-tung. Por conta dos planos de enterrar rapidamente os cadáveres, o governo afirmou que está colhendo mostras de material genético para identificá-los posteriormente, segundo a Xinhua.   O governo estava providenciando abrigo temporário para as vítimas que não conseguiram abrigo em casa de parentes, mas há uma "necessidade desesperadora de tendas" para acomodar todas elas, disse a vice-ministra. "Apesar das generosas doações, o desastre é tamanho que as vítimas ainda têm pela frente o desafio de encontrar abrigo", admitiu Jiang.   A China aceitou o enviou de médicos estrangeiros à medida que os esforços de busca por sobreviventes foram se convertendo em tratamento aos feridos e aos desabrigados. Médicos russos e taiwaneses já estão na área de desastre. O Ministério das Relações Exteriores do Japão anunciou que 23 médicos do país viajariam nesta segunda com destino à China. Também há médicos alemães e italianos a caminho, disse Qin Gang, porta-voz da chancelaria chinesa.   Cruz Vermelha A solidariedade com relação às vítimas do terremoto de Sichuan proporcionou à Cruz Vermelha da China as maiores doações de sua história. No final da noite de segunda, elas alcançaram US$ 392 milhões. "É a primeira vez que recolhemos tal quantidade de dinheiro em nossos 104 anos de história", afirmou nesta segunda Wang Ping, subdiretor do Escritório de Resposta de Emergência da Cruz Vermelha da China. A sede da organização em Pequim é muito movimentada, com várias pessoas que entram e saem para realizarem suas doações, e com funcionários voltados exclusivamente para contar o dinheiro recebido. Segundo Wang, a notável solidariedade com as vítimas se deve a quatro fatores: a transparência de informações que Pequim impôs desde o início, o minucioso acompanhamento da imprensa, a crescente responsabilidade social corporativa e a cada vez maior capacidade econômica do povo chinês. A Cruz Vermelha da China, que conta com uma filial em cada uma das 31 províncias do país, além de algumas em Hong Kong e Macau, começou a investir o dinheiro recebido no que é mais necessário para as vítimas: tendas de campanha, água potável, alimentos e remédios. No entanto, a organização não supre todas as necessidades, apesar de contar com um milhão de voluntários que garantem que o trabalho não seja interrompido nunca durante as 24 horas do dia. "Necessitamos de mais mãos e mais pessoas especializadas, profissionais. Temos voluntários, mas necessitamos de mais especialistas em ajuda de emergência", reconheceu Wang na sede da organização em Pequim.   Matéria atualizada às 9h05.

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