Terremoto mata 150 na Itália

Tremor de 6,3 graus na escala Richter transforma Áquila, nos Apeninos, em um imenso campo de refugiados

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

07 de abril de 2009 | 00h00

Um terremoto de 6,3 na escala Richter atingiu ontem 26 cidades e vilarejos de Abruzzo, região montanhosa dos Apeninos, no centro da Itália. De acordo com a defesa civil do país, pelo menos 150 corpos foram retirados dos escombros até a noite de ontem - cerca de 250 pessoas estavam desaparecidas. Veja fotos do terremoto em Áquila, na Itália O pior tremor registrado na Itália nas últimas três décadas deixou ainda 1,5 mil feridos e até 70 mil desabrigados. A maioria está instalada em campos de refugiados, com alimentação racionada e sem água corrente ou energia elétrica. O epicentro foi na região de Áquila, cidade de 60 mil habitantes fundada no século 13. De acordo com testemunhas, uma série de abalos de pequena intensidade vinham ocorrendo desde fevereiro. Ontem, às 3h30 (22h30 de domingo, no horário de Brasília), o tremor foi devastador.Dezenas de prédios - muitos de valor histórico - foram ao chão. Fissuras abriram-se nas paredes dos edifícios que se mantiveram em pé e um número ainda desconhecido de construções está condenado. Nas ruas da cidade, crateras abriram-se e tragaram automóveis e prédios inteiros. Um dos principais hospitais de Áquila foi afetado pelo terremoto e não pôde prestar atendimento, agravando ainda mais a situação dos feridos. Ainda de madrugada, os moradores correram para as ruas com medo de novos tremores, enfrentando a escuridão e o frio, muitos descalços e sem agasalhos. RESGATEAs buscas começaram imediatamente. Bombeiros e voluntários, muitos deslocados de outras regiões da Itália, trabalharam ainda na escuridão de forma precária. Apenas após o clarear do dia, a remoção dos escombros e a procura pelos sobreviventes se intensificou.Os números da tragédia são implacáveis. O vilarejo de Onna, de 600 habitantes, foi reduzido a pó. Pelo menos 26 pessoas morreram e nenhum prédio ficou em pé. O delicado trabalho de salvamento não pôde ser realizado com máquinas de grande porte. "Estou vendo uma mulher viva", relatou aos colegas um bombeiro flagrado pelas câmeras da emissora RAI. Cada morador retirado com vida era motivo de comemoração entre os socorristas, interrompendo a tristeza causada pelos corpos que surgiam em maior número. "É um espetáculo de horror. Não há palavras para descrever o que se passa", afirmou a governadora da região de Áquila, Stefania Pezzopane. Ao longo do dia, o número de mortos foi aumentando. Os 20, no início da manhã, viraram 150 no começo da noite. "Para uma tragédia dessa grandeza é possível prever muitas mortes, milhares de feridos e desabrigados", disse o diretor da defesa civil italiana, Guido Bertolaso. "Convocamos equipes de bombeiros de toda a Itália para trabalhar, mas é muito cedo para um recenseamento." Segundo Bertolaso, o número definitivo de vítimas deve ser conhecido entre hoje e amanhã.A intensidade do tremor foi tamanha que seus efeitos foram sentidos na capital, Roma, situada a 110 quilômetros de Áquila. Conforme informações do Instituto Geológico dos EUA (USGS, na sigla em inglês), o terremoto ocorreu a 10 quilômetros de profundidade. De acordo com especialistas, uma distância muito pequena da superfície, o que explica o tamanho da destruição. O tremor foi resultado do atrito das placas tectônicas Africana e Eurasiática.A mesma instabilidade geológica já havia provocado tremores similares, o mais grave de 6,4 graus de intensidade, em Assis, a cerca de 200 quilômetros de Áquila, em 1992. Em 1980, outro terremoto, em Nápoles, de 6,5 graus na escala Richter, deixou quase 3 mil mortos.Ao longo do dia, os governos europeus enviaram manifestações de pesar e ofertas de auxílio. No entanto, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, descartou até o momento a necessidade de ajuda internacional. O premiê decretou estado de emergência na região afetada pelo terremoto, cancelou uma viagem oficial a Moscou e visitou de helicóptero a região atingida. Em seguida, ele anunciou o envio de 30 milhões de euros às vítimas. Berlusconi ressaltou que o governo italiano pedirá mais recursos ao fundo da União Europeia para casos de catástrofe. "Podemos contar também com algumas centenas de milhões de euros que chegarão do fundo europeu para catástrofes", adiantou. Em entrevista à RAI, Berlusconi afirmou que voltará hoje à região, onde ficará o dia todo para avaliar a situação. O premiê estuda ainda a possibilidade de construir uma nova cidade ao lado de Áquila. SALDO DO SISMO150 corpos tinham sido recuperados até a noite de ontem250 desaparecidos eram procurados sob os escombros 70 mil é a estimativa do número de desabrigadosUM SÉCULO DE TREMORES8/9/1905: Tremor de 7,9 graus na escala Richter é registrado na região da Calábria, deixando pelo menos 5 mil mortos e destruindo 25 povoados28/12/1908: Pelo menos 82 mil pessoas são mortas após um abalo sísmico de 7,2 graus na Sicília. Tremor foi seguido de maremoto que devastou ainda mais a região13/1/1915: Tremor de 7 graus no centro do país deixa pelo menos 32,6 mil mortos6/5/1976: Pelo menos 976 pessoas morrem e outras 70 mil ficam desabrigadas após terremoto de 6,5 graus no noroeste do país23/11/1980: Um tremor de 6,5 graus perto de Nápoles mata 2.735 pessoas e fere aproximadamente 7.500

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