Terremoto mata 175 no Paquistão

Número de vítimas deve subir entre os mais de 15 mil desabrigados

REUTERS, NYT E AP, O Estadao de S.Paulo

30 de outubro de 2008 | 00h00

Um terremoto de 6,5 graus na Escala Richter - cujo menor grau é 2 e o mais alto já registrado foi de 9,5 - matou ontem 175 pessoas, feriu 375 e deixou pelo menos 15 mil desabrigadas na província paquistanesa do Baluquistão, sudoeste do país.O terremoto provocou ainda outras 20 réplicas de tremores menores ao longo do dia - duas delas com magnitude de 6,2 e 6,4 graus -, destruindo mais de 1.500 casas e obrigando milhares de moradores a dormirem ao ar livre, sob temperaturas abaixo de zero, o que, segundo as agências humanitárias, pode aumentar o número de vítimas.O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, ordenou a mobilização imediata do governo central e das províncias para que providenciem a ajuda necessária o mais rápido possível, mas avisou a comunidade internacional que o país não precisará de doações por enquanto.O prefeito de Ziarat, Dilawar Kakar, disse que, em sua cidade, "os esforços estão sendo feitos pelos moradores mesmo". Ele teme que o número de vítimas cresça nos próximos dias. "O que nós precisamos é aumentar as operações do governo" "Eu perdi tudo", disse Haji Shahbaz, que lamentava a morte de 17 parentes no vilarejo de Wam. "Não sobrou nada aqui e agora a vida não vale nada para mim.""Houve dois abalos. O primeiro foi leve, mas eu mandei minha família sair. Então, o teto da minha casa desabou com o segundo, mais forte", disse Khadija, de 50 anos.Os sobreviventes usavam as poucas ferramentas disponíveis nos vilarejos para abrir covas coletivas e enterrarem os corpos. Hospitais e clínicas locais estavam sobrecarregadas com a constante chegada de pessoas feridas. Segundo o Departamento de Meteorologia do Paquistão, o epicentro do terremoto foi registrado a 10 quilômetros de profundidade, no distrito de Ziarat, uma das regiões turísticas mais visitadas da província de Baluquistão, 400 quilômetros ao sudoeste da capital, Islamabad, e também atingiu os distritos de Pashin e Killa Saifullah. Ziarat é o maior, mas também o menos povoado distrito do Paquistão e, embora a região seja rica em gás natural, não houve registro de danos a tubulações e às estruturas de extração de gás.O Exército paquistanês enviou helicópteros e 300 membros de equipes de resgate para a zona afetada, onde também atuam duas equipes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e uma da ONG Médicos Sem Fronteiras. Pelo menos três organizações islâmicas radicais - entre elas a Jamaat-ud-Dawa, acusada pelos EUA de serem um grupo terrorista - enviaram socorro.

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