Carys Monteath/Reuters
Carys Monteath/Reuters

Terremoto mata 75 na Nova Zelândia

Equipes de resgate tentam encontrar sobreviventes sob os escombros em Christchurch, onde há mais de 300 desaparecidos

, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2011 | 00h00

SYDNEY

Membros das equipes de resgate enfrentaram uma fria noite de chuva vasculhando, com a ajuda de cães farejadores e escavadeiras, os escombros em busca de sobreviventes após o poderoso terremoto de 6,3 graus na escala Richter que atingiu ontem a segunda maior cidade da Nova Zelândia, Christchurch, matando ao menos 75 pessoas, segundo números oficiais.

Algumas pessoas gritavam sob os escombros dos prédios. Uma mulher soterrada usou seu telefone celular para ligar para seus filhos e despedir-se. Fotografias e vídeos de Christchurch, uma graciosa cidade do século 19 de quase 400 mil habitantes, mostravam pessoas correndo pelas ruas, deslizamentos despejando rochas e destroços nas vias e amplos danos aos edifícios. Testemunhas relataram a queda da torre da Catedral de Christchurch.

Representantes do governo alertaram que o número de mortos deve aumentar, pois havia mais de 300 desaparecidos, alguns dos quais poderiam estar presos nos escombros de muitos edifícios que desabaram com a força do terremoto de 6,3 graus e dos tremores secundários que ainda abalam a cidade.

"Número significativo". "Acho que os habitantes desta cidade devem se preparar para um número de mortos possivelmente significativo", disse aos repórteres o prefeito Bob Parker pouco depois de declarar estado de emergência e ordenar a retirada do centro da cidade. Centenas de moradores assustados amontoaram-se em abrigos temporários.

Parker pediu aos moradores que se preparassem para passar uma noite sem eletricidade nem água encanada. Alimentos e água potável seriam trazidos à cidade durante a noite, disse ele.

A missão de resgate estava sendo prejudicada pelos repetidos tremores secundários de magnitude considerável e pelo clima úmido e frio da noite.

O primeiro-ministro John Key disse que a extensão do estrago ainda era desconhecida, mas que a Nova Zelândia tinha vivido "seu dia mais sombrio", assim como um de seus piores desastres naturais.

"Trata-se de uma completa tragédia para esta cidade, para a Nova Zelândia e para o povo com o qual tanto nos importamos", disse ele à TVNZ, emissora nacional de TV. "As pessoas estão sentadas na calçada, desesperadas, com a cabeça entre as mãos. A comunidade está em total agonia."

Alguns centros de triagem e clínicas de emergência foram improvisados em toda a cidade para atender ao fluxo de vítimas. Representantes do governo dizem que a principal instalação médica da cidade, o Hospital de Christchurch, estava se preparando para receber muitos mortos e feridos. Alguns foram transportados por via aérea até hospitais fora da zona do terremoto.

Falta de ambulâncias. Na tarde de ontem, representantes do governo disseram que não havia ambulâncias suficientes na cidade. Vídeos gravados no local mostravam trabalhadores de um escritório carregando seus colegas feridos a bordo de caminhonetes e veículos mais possantes. O aeroporto de Christchurch foi fechado, e sua página na internet anunciou a reabertura na manhã de hoje apenas para voos domésticos.

Imagens da emissora 3 News New Zealand mostravam equipes de emergência tirando vítimas feridas de edifícios danificados, entre eles um prédio de quatro andares, o Pine Gould Guinness, que foi praticamente arrasado. Os três andares superiores do prédio, construído na década de 60, desabaram enquanto trabalhadores apavorados corriam para se esconder sob as mesas. Vídeos mostravam uma mulher se segurando ao teto enquanto funcionários dos serviços de emergência usavam um guindaste para resgatá-la. "Havia um homem no segundo andar enterrado até a cintura nos escombros", disse à TV um sobrevivente do edifício Pine Gould. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL - NYT

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