Terremoto na China mata quase 3/4 de população de cidade

Soldados chegam à Wenchuan, epicentro do tremor, e encontram somente 2,3 mil dos 10 mil habitantes vivos

The New York Times,

14 de maio de 2008 | 18h50

Os soldados que chegaram à Wenchuan, epicentro do terremoto de 7.9 graus de magnitude que abalou a China, começaram a transportar sobreviventes pelos rios, através de esquifes. Mas na primeira vila em que os soldados chegaram, Yingxiu, somente 2,3 mil dos 10 mil residentes puderam ser confirmados como vivos, segundo a agência oficial do país, Xinhua.   Veja também: Chineses no Brasil arrecadam ajuda para vítimas de terremoto Vítimas aguardam ajuda na China; grávida é resgatada com vida Entenda como acontecem os terremotos  Vídeo com imagens do terremoto  De Pequim, Cláudia Trevisan fala sobre o terremoto    A pobre região agrícola, que abriga a famosa reserva dos pandas, é considerada uma das áreas mais atingidas pelo desastre. "A falta de remédios, médicos, comida e água potável é urgente", disse He Biao, vice-secretário-geral da prefeitura de Aba, que inclui Wenchuan.   O fato do auxílio finalmente chegar em Wenchuan é um trunfo mínimo diante das conseqüências do pior terremoto que atingiu a China nos últimos 30 anos. Até esta quarta-feira, a província parecia completamente fora do resto do mundo, e quanto mais permanece isolada, mais pessoas sofrem e morrem. Metade dos sobreviventes tinham vários ferimentos, disseram oficiais chineses.   O temor de novos terremotos permanece alto em toda a região. Um pequeno tremor foi sentido em Chengdu, capital da província de Sichuan, às 11 horas, no horário local. Horas depois, funcionários de um hotel pediram aos hóspedes para que descessem ao térreo, com medo de um possível abalo sísmico.   Mais de 800 policiais chegaram em Yingxiu. Fotos aéreas mostram ruas e casas vazias e um grande acampamento em um campo de futebol. O condado também parece cortado do mundo por rochas e deslizamentos de lama. Os serviços telefônicos foram completamente destruídos.    Clima    A forte chuva que atrasava os esforços de ajuda nos últimos dois dias deu uma trégua nesta quarta feira, permitindo uma viagem mais fácil às regiões afetadas e aliviando a situação dos sobreviventes que sofriam com o frio.   O tempo havia forçado o cancelamento dos planos militares de resgate, que incluíam milhares de soldados saltando de pára-quedas em Wenchuan e outras áreas mais atingidas. Séries de deslizamentos de terra bloqueavam as ruas.   "Sichuan é uma área extremamente montanhosa, é difícil chegar a algumas áreas mesmo sem um terremoto", disse Kate Janis, diretora da Mercy Corps, organização de auxílio que planeja enviar suprimentos a alguns dos locais mais afetados. "As ruas estão estreitas, é difícil chegar a qualquer lugar."   Até esta quarta-feira, pelo menos 14.866 pessoas foram dadas oficialmente como mortas. Espera-se que o número suba em milhares ou mesmo em centena de milhares enquanto as equipes de resgate chegam às áreas remotas.   Centenas de milhares de vítimas continuam desabrigadas, e em todos os lugares as pessoas se abrigam como podem. Entradas de estádios de futebol se tornaram locais de abrigo.   Boas notícias   Algumas raras boas notícias chegaram nesta quarta-feira. Uma mulher que estava grávida de oito meses foi resgatada viva, após ter ficado presa sob escombros por 50 horas na cidade de Dujiangyan, informou a agência Associated Press. Outra mulher foi resgatada pouco depois.   "Foi muito tocante. É um milagre que conseguimos juntos", disse Sun Guoli, a chefe dos bombeiros da região. "É o milagre da vida, usando um para salvar o outro", acrescentou, enquanto levava a mulher para a ambulância. Segundo a rede CNN, Sun esteve no local durante as 50 horas da operação de resgate.

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