Terremoto no norte da Itália mata 17 e fere 200

Tremor deixa 14 mil desabrigados em mesma região onde, há menos de dez dias, outro poderoso sismo foi registrado

ROMA, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2012 | 03h06

Um terremoto de 5,8 graus na escala Richter foi registrado ontem no norte da Itália, deixando 17 mortos, 200 feridos e 14 mil desabrigados na região de Emilia Romagna. O tremor ocorreu pouco mais de uma semana depois de outro terremoto na mesma área ter matado 7 pessoas e desabrigado outras 13 mil.

O terremoto, cujo epicentro foi perto da cidade de Modena, foi sentido em toda a região norte e central da Itália. Prédios altos e escolas foram esvaziados em Milão como medida de precaução. O serviço de trem de linhas que ligam Bolonha a cidades no norte do país também foi interrompido enquanto as autoridades checavam os danos causados pelo terremoto.

Igrejas e a catedral de Mirandola foram danificadas. Em toda a região, o terremoto derrubou edifícios que haviam sido afetados pelo tremor do dia 20, que teve 6 graus de magnitude.

Na Toscana, em particular em Florença e em Pisa, os escritórios públicos foram esvaziados. Em Veneza, uma estátua caiu perto da Praça Piazzale Roma, criando pânico entre os turistas.

As linhas telefônicas dos bombeiros e da Defesa Civil caíram pelo grande volume de ligações e os 3 mil trabalhadores das fábricas da Ferrari, perto de Modena, foram mandados para casa.

"É um desastre. Nunca vi nada parecido", disse Stefano Draghetti, prefeito da cidade de Cavezzo, uma das afetadas pelo tremor. "Precisamos de muita ajuda para recomeçar."

O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, realizava uma reunião de gabinete para tratar dos danos causados pelo terremoto do dia 20 quando o novo tremor foi registrado. Em uma entrevista coletiva, Monti disse que seu governo está preparado para ajudar a população.

"Quero garantir a todos que o Estado fará tudo o que for possível fazer, o mais rápido que conseguirmos, para assegurar o retorno à normalidade em uma região tão especial, tão importante e tão produtiva para a Itália", afirmou o premiê.

Em declarações feitas por meio de seu porta-voz, o papa Bento XVI manifestou "sua dor e proximidade" com as vítimas do terremoto.

Imagens de TV mostraram prédios balançando e shoppings caindo por causa da intensidade do tremor. A qualidade da construção dos edifícios na região onde o terremoto foi registrado foi centro de debate entre figuras importantes da política italiana.

A ministra do Trabalho da Itália, Elsa Fornero, disse que a destruição estava "fora de proporções" considerando a magnitude do terremoto. "É natural que a terra trema, mas não é natural que prédios caiam", afirmou a ministra.

O geólogo Giampaolo Cavinato disse que após o destruidor terremoto de L'Áquila, de 2009, o governo deu início a um mapeamento no país para determinar a vulnerabilidade de estruturas individuais. O estudo deveria durar sete anos e já tinha sido iniciado na região de Emilia Romagna. "Agora, não sei o que acontecerá", afirmou Cavinato.

Trabalho. Equipes de resgate conseguiram retirar uma mulher com vida debaixo de escombros de um prédio que caiu. A mulher estava soterrada havia 12 horas quando foi encontrada pelos bombeiros. / AFP, AP, REUTERS e NYT

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