AFP PHOTO /MARTIN BERNETTI
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Terremotos como o que atingiu o Chile são difíceis de prever, diz especialista

Técnico em Sismologia tira dúvidas a respeito de fenômeno que assustou os países da América do Sul

Jéssica Otoboni, O Estado de S. Paulo

17 Setembro 2015 | 17h05

O terremoto de magnitude 8,3 que atingiu o Chile na noite de ontem, não é um fenômeno de fácil previsão, segundo o técnico em Sismologia da Universidade de São Paulo, José Roberto Barbosa. Ele afirma que, apesar da força do tremor, o número de vítimas foi baixo porque os chilenos estão acostumados a lidar com isso e sabem como agir diante de situações como essa. Confira abaixo algumas dúvidas a respeito do terremoto esclarecidas por Barbosa.

Chile e o chamado Círculo de Fogo

A região conhecida como Círculo de Fogo é uma área de grande instabilidade geológica pois nela há o encontro de várias placas tectônicas. No caso do Chile, os terremotos ocorrem quando a placa de Nazca se encontra com a Sul-Americana. “Elas se movimentam alguns centímetros por ano”, diz Barbosa. Ele explica que, a partir desse movimento, o solo vai acumulando tensões que são liberadas aos poucos continuamente. “Quando essa liberação não ocorre, acontecem os grandes terremotos”.

Previsão dos tremores

“Os países andinos tentam monitorar e entender os tremores, mas é difícil.”

O especialista explica que esse tipo de terremoto é difícil de prever pois não se sabe por quanto tempo as tensões estão acumuladas. Assim, “não há como saber quando e onde elas serão liberadas”. Os centros de pesquisas sísmicas do mundo procuram trocar informações a respeito para coletar dados e fazer um monitoramento dos fenômenos. Apesar do susto, os chilenos convivem com esses tremores e sabem o que fazer e para onde ir quando eles acontecem.

Sentido em bairros brasileiros diferentes

Muitos brasileiros sentiram as dissipações dos tremores, mas, em um mesmo bairro, somente parte das pessoas notou o ocorrido. Isso depende, segundo Barbosa, do tipo de rocha em que as construções estão. Por exemplo, se um edifício na avenida Paulista está em um solo com rochas mais argilosas, as pessoas que estiverem nele têm mais chances de sentir as vibrações. Se o material do solo for mais firme, quem estiver no prédio em frente pode talvez nem ao menos notar o tremor. “Depende do material da rocha, que pode amplificar ou atenuar as ondas que se propagaram do terremoto.”

Risco de tsunami

Quando as autoridades suspendem o alerta de tsunami significa que as chances de ele ocorrer são pequenas. “Elas só aumentam se houver outro grande terremoto”, afirma o especialista. Os tremores geram réplicas, que continuam a se dissipar após o terremoto. Ele explica que, se na acomodação das placas tectônicas houver outras liberações de tensão, pode haver alerta de tsunami. “De acordo com o que estamos acompanhando, as réplicas que estão ocorrendo por lá agora são de magnitudes menores.”

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