Israel Sánchez/EFE
Israel Sánchez/EFE

Terremotos matam oito e ferem dezenas em cidade do sul da Espanha

Vários edifícios desmoronam e caos toma conta do centro de Lorca, na Província de Múrcia; desabamentos causam mortes e ferimentos, além de soterrar parcialmente carros estacionados nas principais vias; pacientes foram retirados de 2 hospitais

, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2011 | 00h00

LORCA, ESPANHA

Pelo menos oito pessoas morreram ontem na cidade espanhola de Lorca, na Província de Múrcia, depois que dois terremotos atingiram a região em um intervalo de pouco mais de uma hora e meia. O primeiro tremor atingiu 4,5 graus na escala Richter. O segundo, chegou a 5,1 graus. Dezenas de moradores ficaram feridos e centenas saíram de suas casas apavorados. Diversos edifícios foram danificados.

Especialistas consideraram os tremores o pior evento do gênero a abalar a Espanha nos últimos 50 anos. Os escombros tomaram conta do centro de Lorca. Inúmeros carros foram danificados. Até a noite de ontem, dois dos feridos corriam risco de morrer. Segundo o jornal El País, dezenas de pacientes do Hospital Rafael Méndez sofreram ferimentos e acabaram transferidos para unidades de saúde em Múrcia, Cartagena e Cieza. Outro hospital foi esvaziado após os tremores. O desmoronamento de parte do teto de um abrigo para idosos também causou a retirada dos pacientes do local.

Rachaduras se formaram em estradas e viadutos da cidade e congestionamentos impediam a saída na direção da Província da Andaluzia. Apavorados com a possibilidade de novos tremores ou desabamentos, os cidadãos permaneceram nas ruas durante a noite. "A minha casa rachou inteira e todos os móveis caíram no chão", contou apavorada a espanhola Juana Ruiz, que estava dentro do local nos momentos dos tremores.

O governo espanhol enviou 190 integrantes do 3.º Batalhão da Unidade Militar de Emergências, de Valência, para ajudar no resgate das vítimas. Um hospital de campanha foi montado para o atendimento dos feridos.

O primeiro terremoto ocorreu às17h05; o segundo, às18h47. O epicentro dos dois foi registrado na Serra de Tercia, a cerca de 7 quilômetros do centro de Lorca - a 1 quilômetro de profundidade, o que explica o poder destrutivo dos tremores, apesar da intensidade relativamente baixa.

O impacto dos sismos foi sentido com força ainda nas cidades espanholas de Múrcia, Mazarrón, Cartagena e Águilas. As províncias vizinhas de Almería, Albacete também tremeram, mas com menos intensidade. Os terremotos foram sentidos ainda na região de Madri, segundo afirmou o El País.

De acordo com o jornal local La Verdad, três dos mortos não resistiram ao serem atingidos por beirais que se desprenderam de edifícios. Uma das vítimas, um adolescente, passeava com seu cachorro quando foi golpeado. Uma mulher morreu no desabamento de um prédio de três andares. Seu filho foi encontrado com vida nos escombros, onde até a noite de ontem havia a desconfiança que mais vítimas estavam soterradas.

A Província de Múrcia está situada na região de maior atividade sísmica da Espanha. O diretor do Instituto Geográfico Nacional da Espanha, Emilio Carreño, explicou ao El País que existem no local "falhas curtas, na direção leste-oeste e nordeste-sudoeste". O último terremoto com epicentro em Lorca foi registrado em 2005 e atingiu 4,6 graus na escala Richter. Deixou feridos na cidade e na vizinha Bullas, mas ninguém morreu na ocasião. / AP e REUTERS

SISMOS ESPANHÓIS

Granada

O tremor mais mortífero registrado em solo espanhol ocorreu em 20 de abril de 1956, em Andaluzia. Ao todo, 12 pessoas morreram e mais de 70 ficaram feridas na Província de Granada. Mais de 500 edifícios históricos foram danificados.

Huelva

Um terremoto de 7,5 graus na escala Richter - ocorrido em 28 de fevereiro de 1969 - causou a morte de 4 pessoas na província espanhola de Huelva, próximo à fronteira com Portugal.

Múrcia

Antes do incidente de ontem, o último sismo a ocorrer em Múrcia chegou a 4,6 graus na escala Richter, em 2005. Não houve mortes.

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