Território sofre com escassez de alimentos

Preço de mantimentos sobe rapidamente após ataques em Gaza

Efe, Reuters e The Guardian, Gaza, O Estadao de S.Paulo

30 de dezembro de 2008 | 00h00

As ruas da Faixa de Gaza amanheceram desertas ontem, no terceiro dia da ofensiva israelense contra o território palestino. A maioria dos estabelecimentos comerciais ficou fechada e as poucas aglomerações em Gaza ocorreram na frente de padarias, onde os palestinos tentavam comprar alimentos para estocar.Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), o preço dos alimentos básicos está subindo rapidamente em Gaza, onde a situação dos hospitais também é caótica. Cortes de energia elétrica e danos na rede de abastecimento provocaram falta de água em alguns distritos da região. Em meio ao aumento do número de mortos e a escassez de vagas nos hospitais, o território palestino também está enfrentando uma grave carência de medicamentos, sangue e câmaras refrigeradas para conservar os cadáveres."Sofremos uma enorme escassez de medicamentos", afirmou Moawiya Hasanein, chefe dos serviços de emergência na Faixa de Gaza. "Faltam mais de 150 tipos de remédio necessários para atender aos feridos." Além disso, segundo Hasanein, não há camas suficientes nos hospitais nem sangue para transfusões. Dados oficiais indicam que 30% dos mortos são civis, enquanto 40% dos feridos são mulheres e crianças.Três dos principais hospitais de Gaza foram danificados nos ataques aéreos israelenses e os serviços de ambulância estão operando com 50% de sua capacidade por causa da falta de equipes médicas. A porta-voz do Exército israelense, Avital Leivovitz, afirmou ontem que foi permitida a entrada em Gaza de caminhões com ajuda humanitária, levando alimentos e remédios. "Não temos nenhum limite da quantidade de medicamentos e comida que permitimos passar", afirmou Avital. "Estamos deixando entrar tudo o que as organizações humanitárias estão enviando."AJUDA EGÍPCIAPalestinos feridos nos ataques em Gaza passaram aos poucos para o Egito ontem depois de muita confusão nas negociações entre Cairo e o grupo radical islâmico Hamas, que pedia tratamento para as vítimas do conflito. Nove palestinos feridos acompanhados de outras oito pessoas cruzaram a fronteira ao cair da noite para ser medicados no Egito. De acordo com guardas da fronteira, esperava-se que mais 30 feridos fossem recebidos em hospitais egípcios.Os palestinos feridos deveriam ter cruzado a fronteira no domingo, mas tanto o Hamas quanto o governo egípcio deram explicações conflitantes para o atraso nas negociações. As relações entre as duas partes está tensa por causa da recusa do Egito em deixar de cooperar com o embargo imposto por Israel a Gaza.Ainda ontem, dez caminhões egípcios dirigiram-se para Gaza, pela passagem de Rafah, levando medicamentos para as vítimas do conflito.

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