Terror busca resíduo nuclear, dizem EUA

Existem hoje cerca de 1.600 toneladas de urânio altamente enriquecido e 500 toneladas de plutônio no mundo - e grande parte deste material está vulnerável e pode cair nas mãos de terroristas, alertam especialistas. Com apenas 50 quilos de urânio altamente enriquecido é possível fabricar uma bomba semelhante à que matou cerca de 150 mil pessoas em Hiroshima. "O perigo de material nuclear cair em mãos erradas é real e precisa ser combatido", diz Ed Lyman, pesquisador sênior do Centro de Segurança Global da Union of Concerned Scientists.

, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2010 | 00h00

Na revisão estratégica nuclear dos EUA, divulgada nessa semana, o "terrorismo nuclear" é apontado como a principal ameaça contra os EUA. "Nós sabemos que grupos terroristas como Al-Qaeda estão procurando materiais para construir uma arma nuclear", disse o vice-conselheiro de segurança nacional, Ben Rhodes. O presidente Barack Obama estabeleceu uma meta de proteger, em quatro anos, todos os materiais nucleares que hoje estão vulneráveis. Para Lyman, essa meta não é realista. "Para começar, não se chega sequer a um acordo sobre o que são os estoques vulneráveis", diz ele.

Por muito tempo, a principal preocupação eram as antigas repúblicas soviéticas. Depois do colapso da URSS, os países se viram com uma enorme quantidade de material nuclear espalhado por seus territórios, sem governo estável nem polícia constituída para garantir a segurança desse materiais. Os EUA vem trabalhando nos últimos 20 anos para armazenar ou reprocessar esse material, e acredita-se que cerca de 90% estejam em locais seguros hoje.

Segundo Lyman, em muitos países ricos o transporte ou a armazenagem de urânio e plutônio podem representar uma ameaça. "A França, por exemplo, tem um estoque de mais de 50 toneladas de plutônio, que eles transportam por estradas. Eles não acham que isso esteja vulnerável, mas um terrorista um pouquinho mais sofisticado poderia facilmente roubar esses materiais", diz Lyman.

Os maiores estoques estão na Rússia, seguida dos EUA. Grã-Bretanha, França e China. Entre os países que não têm bomba nuclear, Bielorússia, Casaquistão, África do Sul e Ucrânia têm os maiores estoques de urânio altamente enriquecido e plutônio.

"O comunicado final da cúpula deve ter compromissos mensuráveis e transparentes, para que outros governos e a sociedade possam monitorar o cumprimento desses compromissos", disse Deepti Choubey, pesquisadora do Carnegie Endowment for International Peace.

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