AFP PHOTO / Pascal GUYOT
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Terrorismo atual é de baixo custo e tecnologia, mas de grande intensidade, diz especialista

Professor e diretor de segurança internacional da Fundação Ásia-Pacífico afirma que o atropelamento foi uma estratégia encontrada pelos terroristas para ‘causar grandes estragos’

Célia Froufe, correspondente / Londres, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2017 | 12h48

LONDRES - Os ataques terroristas realizados na Espanha na quinta-feira 17 revelam que o mundo vive um momento em que o terrorismo se especializou em atuar de uma forma mais simples, mas, ao mesmo tempo, mais complexa de ser interceptada pelas autoridades. A avaliação foi feita pelo professor e diretor de segurança internacional da Fundação Ásia-Pacífico, Sajjan Gohel.

"É uma era de atuação de baixo custo, de baixa tecnologia e de baixa sofisticação, mas com grande intensidade, atingindo massas, com múltiplas mortes. E este é o problema", afirmou ele ao Broadcast / Estadão.

O ataque em Barcelona e Cambrils foi realizado, como em outras cidades europeias, por meio de um atropelamento com uma van alugada. Até o momento, 14 pessoas morreram e cerca de 130 estão feridas.

Neste caso, segundo o professor, não se viu a necessidade de uma formulação de grande estratégia para preparar os atentados. "Foi a tática que os terroristas encontraram para ter muito sucesso em matar, ferir e causar grandes estragos.”

No fim de junho, logo depois de o Reino Unido ter sofrido um ataque terrorista no mesmo formato, Gohel havia dito ao Broadcast / Estadão que os atentados continuariam e eram como um vírus, pois se espalham sem respeitar fronteiras.

"Isso continua agora e é o que estamos vendo. É muito difícil para as autoridades prevenir ataques como este, que usa a circulação de veículos. Não tem como a inteligência prevenir nesses casos. Têm sido duas formas de ataques recorrentes: facas e veículos", pontuou.

Sobre os locais escolhidos pelos terroristas, o especialista ressaltou que há quase dois anos era a França que estava sendo atacada, mas depois vieram também Bélgica, Reino Unido, Alemanha e Espanha. "Isso está se espalhando e, quanto mais território perderem no Iraque e na Síria, mais continuará", disse. "Este é um problema global."

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