REUTERS/Fabrizio Bensch
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Ala radical de partido de extrema direita alemão é posta sob vigilância policial

Diretor do serviço de inteligência afirmou que terrorismo de extrema direita e extremismos são as principais ameaças à democracia alemã

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2020 | 10h34

BERLIM - A ala mais radical do partido de extrema direita alemã Alternativa para a Alemanha (AfD) foi colocada sob vigilância policial nesta quinta-feira, 12, com a argumentação de que essa parte do partido representa um perigo para a democracia do país, 75 anos após o fim do nazismo. 

O terrorismo de extrema direita "representa atualmente o principal perigo para a democracia" na Alemanha, afirmou o diretor do Serviço Interno de Inteligência, Thomas Haldenwang, em evento nesta quinta. 

Após vários ataques no país por seguidores dessa ideologia radical, Haldenwang anunciou que a ala radical do partido que hoje é a principal força de oposição na Câmara dos Deputados, com 89 assentos, estará sob vigilância policial.

"Hoje sabemos que as democracias podem fracassar quando seus inimigos a destroem por dentro. É uma advertência que nossa história nos envia", completou Haldenwang. Ele destacou que o movimento de extrema direita mais radical no país tem quase 32 mil simpatizantes, incluindo 13 mil pessoas dispostas à violência.

Conhecido como "A Ala", o movimento é liderado por Björn Höcke, um político da região da Turíngia. Há algumas semanas, ele se viu no centro de uma polêmica ao tentar uma aliança com a direita moderada da chanceler Angela Merkel. Na Alemanha, apenas as organizações mais extremas, consideradas um perigo potencial para o Estado, são colocadas sob vigilância policial. 

O serviço de Inteligência informou ter constatado que "A Ala" e seus líderes podem ser classificados como "extremistas" e que "questionaram" em seus discursos e ações "símbolos fortes do regime democrático" alemão, além da "dignidade humana e do Estado de direito".

Höcke e seus seguidores rejeitam a cultura do arrependimento pelos crimes nazistas e alegam que existe uma ameaça de que a população alemã possa ser "substituída" pelos imigrantes. / AFP

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