Terrorismo será combatido onde estiver, diz Blair

Apesar de ter feito um último alerta ao Taleban - "Entreguem Bin Laden, ou entreguem o poder" -, o primeiro-ministro Tony Blair deixou claro hoje que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha estão preparados para iniciar uma ofensiva militar contra o Afeganistão e que não há nenhuma saída diplomática que possa evitar isso. O primeiro-ministro disse também que todos os movimentos terroristas espalhados pelo mundo serão combatidos, estejam onde estiver. Num discurso que se estendeu por quase uma hora durante a convenção do Partido Trabalhista na cidade de Brighton, ele afirmou que os ataques vão se concentrar nas tropas, armamentos e redes de abastecimento que apoiam o terrorismo dentro do Afeganistão. Blair acrescentou que será feito o esforço possível para evitar vítimas entre a população civil. O ultimato de Blair ao Taleban deixou claro que a Grã-Bretanha e os Estados Unidos não vão se dar por satisfeitos apenas com a prisão do dissidente saudita Osama Bin Laden, principal suspeito dos atentados terroristas de 11 de setembro. O alvo será também o regime do Taleban. Blair criticou ferozmente os governantes de Cabul, que segundo ele não respeitam os direitos civis básicos de sua população, distorcem os valores islâmicos, sustentam-se num clima de medo e financiam-se através do tráfico de drogas. Segundo o primeiro ministro, 90% da heroína que circula na Grã-Bretanha é proveniente do Afeganistão. "Há apenas um escolha: derrotar ou ser derrotado. Vamos derrotá-los", disse. Blair procurou também atenuar as crescentes preocupações com o impacto que a ofensiva militar poderá ter sobre a população afegã. Segundo ele, qualquer ação militar será acompanhada de uma ação humanitária. "Não vamos abandoná-los à sua sorte como já aconteceu em outras ocasiões no passado." O primeiro-ministro disse que os temores sobre o impacto dos ataques terroristas na economia mundial são justificáveis, mas ressaltou que os fundamentos econômicos dos Estados Unidos e da Europa são sólidos. A possibilidade de a Grã-Bretanha passar ao adotar nos próximos anos a moeda única européia, o euro, também foi reforçada durante o discurso. Blair afirmou que, se o país atingir as condições econômicas necessárias para a adesão ao euro durante o seu governo, a população britânica será consultada a respeito.

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