Terrorista agiu só, diz espionagem da Noruega

De acordo com indícios, apesar de contatos com grupos de extrema direita na Europa, Breivik teria planejado e executado os atentados sem ajuda

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / OSLO

A suposta colaboração de duas células terroristas de extrema direita da Europa na organização dos atentados de sexta-feira na Noruega é peça de ficção. A convicção é do serviço secreto do país, que não acredita no depoimento de Anders Behring Breivik, assassino confesso de 76 pessoas. Dividida entre o luto e a tensão. Oslo está longe da tranquilidade. Ontem, uma bagagem perdida mobilizou a polícia e paralisou o transporte na capital.

Os novos indícios sobre a organização dos atentados de Oslo e da Ilha de Utoya, na sexta-feira, foram revelados por Janne Kristiansen, diretora do Serviço de Segurança da Polícia - serviço secreto voltado para assuntos internos. Em entrevista à BBC, ela refutou as afirmações que Breivik fez no Tribunal de Oslo, na segunda-feira, segundo as quais ele contara com o suporte de duas células terroristas, cujos nomes não foram revelados. Nesse depoimento, Breivik contradisse suas primeiras declarações.

Breivik alega em seu "manifesto" de 1,5 mil páginas ter sido um dos fundadores da organização de extrema direita Cavaleiros Templários (PCCTS, na sigla completa em inglês), de inspiração fundamentalista cristã, cujo objetivo seria lançar as bases de um conflito civil na Europa contra governos e minorias "marxistas" e "islâmicas".

Segundo Janne, as informações obtidas pela polícia apontam para uma ação isolada, alimentada pelos delírios do terrorista. "Não temos indicações de que o ataque tenha sido parte de um movimento amplo ou de que tenha agido em conexão com outras células, nem sequer de que haja outras células", disse.

No entanto, os agentes noruegueses seguirão investigando as informações de Breivik, assim como já o estão fazendo os serviços de inteligência de outros países europeus, como Grã-Bretanha e França. "Não creio que haja limites para o mal na mente dessa pessoa. Logo, não podemos correr nenhum risco", afirmou a policial.

Um exemplo da mobilização das autoridades norueguesas contra o risco de atentados ocorreu na manhã de ontem, em Oslo. Uma mochila perdida em um ônibus, às 7h40, provocou o isolamento de todo o entorno da estação central de trens e a paralisação do transporte rodoviário. "Recebemos a informação de que uma pessoa agira de forma não natural em um ônibus parado na estação", disse Tore Bastad, coordenador da operação.

O ônibus foi imediatamente esvaziado, assim como a estação. No meio da manhã, parte da cidade estava paralisada pelo bloqueio dos ônibus e pelas barreiras policiais, que abriram caminho para o esquadrão antibombas. Um robô retirou a mochila do veículo, mas em seu interior não havia nada suspeito.

Às 10h30, um jovem com idade entre 25 e 30 anos, fotografado pelo circuito interno de segurança, procurado pela polícia e descrito à imprensa como "psicologicamente instável", retornou para buscar a mochila. Às 11 horas, a estação voltou ao normal. Apesar da tensão, Oslo recobrou parte de seu brilho e o comércio funcionou normalmente.

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