Serviço Federal Americano/AP
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Terrorista da Times Square planejava outros atentados em Nova York

Faisal Sahzad confessou que promoveria ataques 'até ser morto ou preso'

Efe

30 de setembro de 2010 | 01h06

NOVA YORK - O americano de origem paquistanesa Faisal Shahzad, que confessou ter colocado um carro-bomba que não chegou a explodir em maio na Times Square, em Nova York, planejava cometer outros ataques na cidade, segundo documentos judiciais registrados na quarta-feira, 29, pela Procuradoria federal de Manhattan.

Shahzad, que terá sua sentença anunciada em 5 de outubro, estava "preparado para executar novos ataques até ser preso ou morto", destacaram os documentos apresentados pela equipe do escritório do procurador federal Preet Bharara.

A Procuradoria afirma que a sentença mais adequada para Shahzad seria a prisão perpétua e que, no momento de sua detenção, o terrorista declarou que pretendia matar "pelo menos 40 pessoas" e que, "se não tivesse sido preso, detonaria uma segunda bomba em Nova York duas semanas depois".

"Depois de preso, Shahzad nunca manifestou remorso por sua atitude. De fato, durante as conversas com as autoridades nos dias seguintes à detenção, falou com orgulho sobre a ação e seus cúmplices", acrescentou a Procuradoria.

Shahzad, que tem 30 anos e vivia há dez nos Estados Unidos, admitiu ter colocado um automóvel com três bujões de propano e dois de gasolina, assim como relógios com pilhas, cabos e material pirotécnico, que não chegou a explodir, no dia 1º de maio na Times Square.

O paquistanês foi detido dois dias depois da tentativa de atentado terrorista, quando estava prestes a decolar em um avião para Dubai.

Em suas conversas com as autoridades, Shahzad explicou que o automóvel estava pronto para explodir entre dois minutos e meio e cinco minutos depois que ele o deixou e que, ao escolher um sábado à noite para o atentado, pretendia provocar o maior número possível de vítimas.

A Procuradoria declarou que o acusado, que responde a dez crimes, preparou "durante três meses" o atentado e utilizou as imagens da Times Square retiradas da internet para descobrir "qual era a área e a hora mais movimentada do dia".

Os documentos ressaltam que "Shahzad não selecionou seus alvos ao acaso, mas tinha a intenção de provocar um golpe aterrorizador ao coração de Nova York", e que, se tivesse sido bem-sucedido, "teria provocado a morte de muitos moradores e visitantes da cidade e traumatizado muitas pessoas para sempre".

"E não é necessário falar do significativo impacto econômico e emocional que um ataque bem-sucedido teria provocado em toda a nação", acrescenta a Procuradoria.

No entanto, o órgão destaca que "o fato de o ataque não ter sido bem-sucedido não deve favorecer Shahzad", que deve receber "a pena máxima".

"Quero me declarar culpado mais cem vezes", disse Shahzad, que também pediu aos muçulmanos que continuem atacando se as forças americanas não deixarem o Iraque, o Afeganistão e qualquer "outra terra muçulmana".

A Procuradoria registrou estes documentos no mesmo dia em que o FBI (polícia federal dos Estados Unidos) divulgou um vídeo gravado em 29 de junho em que as autoridades americanas fizeram uma simulação - como mesmo tipo de veículo e os mesmos explosivos - do que teria ocorrido se o automóvel tivesse explodido.

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