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Terrorista de Mumbai pede para ser enforcado

Promotoria afirma que extremista paquistanês tenta proteger os cérebros do atentado com seu testemunho

22 de julho de 2009 | 09h26

O extremista paquistanês Ajmal Kasab, único suspeito de participação nos ataques do fim do ano passado contra Mumbai (ex-Bombaim) a sobreviver ao cerco e ser levado a julgamento, declarou-se nesta quarta-feira, 22, pronto para ir à forca e pediu à corte que não tenha piedade dele. A Promotoria o acusou de tentar proteger os cérebros do ataque com seu testemunho.

 

"O que quer que eu tenha feito, o fiz neste mundo. Seria melhor ser punido aqui. Seria melhor que a punição de Deus. É por isso que eu me declarei culpado", disse Kasab ao tribunal. Na segunda-feira, ele confessou inesperadamente sua participação no cerco, depois de passar meses negando enfaticamente seu envolvimento. O ataque, iniciado em 26 de novembro, estendeu-se por três dias e terminou com um saldo de cerca de 170 mortos. A forca é o método de aplicação da pena de morte na Índia.

 

"Se eu for enforcado por isso, não ficarei incomodado. Não quero nenhuma piedade desta corte. Eu compreendo as implicações da minha confissão do crime", prosseguiu o extremista de 21 anos de idade. A promotoria observou que trechos da admissão de culpa não batem com as evidências. Kasab nega ter sido coagido a confessar. Na opinião da Promotoria, Kasab só deu os nomes que a Justiça indiana já conhecia - exceto um indiano que supostamente teria ensinado híndi ao comando que atacou Mumbai - e tenta encobrir outros responsáveis do massacre.

 

O promotor do caso, Ujwal Nikam, insistiu à imprensa na saída do tribunal em que o acusado não fez nenhuma revelação sobre o ataque, por isso poderia estar tentando proteger alguns de seus chefes e mostrar que ele é um simples "peão". "Não está dizendo toda a verdade. Minimizou inteligentemente seu papel (no ataque) para que o castigo seja menor ou salvar" seus chefes, argumentou o promotor.

 

Segundo o testemunho de Kasab sobre o ataque, o acusado admitiu fazer parte do comando terrorista de dez membros que atacou o sul de Mumbai, mas insistiu em responsabilizar seus companheiros por muitas das atrocidades. Negou, entre outros, ter disparado contra a polícia fora do hospital Cama - um dos alvos atacados - ou de ter matado o pescador de uma das embarcações com as quais os terroristas chegaram à costa de Mumbai.

 

Veja como foram os ataques:

 

 

 

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