Terrorista de Oslo diz que faria tudo de novo e exige absolvição

Em sua defesa perante tribunal, Anders Breivik mostra contradições em seu discurso e sobre seu estado de saúde mental

OSLO, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2012 | 03h04

O fundamentalista cristão Anders Behring Breivik, de 33 anos, julgado pela morte de 77 pessoas em atentados terroristas em julho, disse ontem que faria tudo de novo e exigiu ser inocentado. Breivik leu um longo manifesto perante um tribunal de Oslo, repleto de contradições, no qual não demonstrou arrependimento e defendeu visões extremistas e nacionalistas.

"As pessoas que me chamam de diabólico confundem ser diabólico com ser violento", disse Breivik. "Se há alguém diabólico, são os social-democratas e os marxistas culturais que desejam transformar a Noruega em uma sociedade multicultural sem consultar a população." O terrorista responsabilizou muçulmanos por supostas agressões contra noruegueses e os acusou de depreciar a cultura do país. A maioria das vítimas era composta de adolescentes que participavam de um acampamento da juventude do Partido Trabalhista.

A autodefesa de Breivik foi marcada por contradições. Ele negou ser louco e contestou o laudo forense que o diagnosticou com distúrbio de personalidade narcisista. "O 22 de julho era um ataque suicida. Eu não esperava sobreviver. Um narcisista nunca daria sua vida por alguma coisa", declarou. Momentos antes, no entanto, ele descreveu os atentados como "o ato político mais espetacular e sofisticado da Europa desde a 2.ª Guerra".

Breivik ainda disse ser parte de uma organização chamada Cavaleiros Templários, que teria mais duas células, cuja existência foi descartada pela polícia. "Uma pequena barbárie é necessária para impedir uma barbárie maior", declarou. / AFP e NYT

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