Terrorista é condenado nos EUA

Um corpo de jurados de Nova York sentenciou nesta terça-feira à prisão perpétua, sem direito à liberdade condicional, um homem considerado culpado pelo atentado à bomba contra uma embaixada dos EUA na África em 1998, eximindo-o, assim, da pena de morte. No mês passado, o mesmo júri eximiu da pena capital outra pessoa acusada no caso. Khalfan Khamis Mohamed, de 27 anos, cuja sentença foi promulgada nesta terça, foi considerado culpado de conspiração no mês passado pelo atentado em 1988, em Dar es Salaam, capital da Tanzânia, no qual morreram 11 pessoas. O ataque era supostamente parte de um complô terrorista dirigido pelo exilado saudita Osama bin Laden. Um atentado quase simultâneo na embaixada norte-americana no Quênia matou 213 pessoas. Os jurados iniciaram as deliberações sobre a sentença de Mohamed na quinta-feira, suspenderam a sessão na sexta e reiniciaram os trabalhos nesta segunda. Hoje, eles decidiram não impor a pena de morte a Mohamed. No mês passado, o mesmo júri não conseguiu chegar a um acordo para decretar a pena capital contra outro réu - Mohamed Rashed Daoud Al-´Owhali, da Arábia Saudita - por sua participação no atentado em Nairóbi, no Quênia. Ele também foi sentenciado à prisão perpétua. A decisão desta terça põe fim a um processo de seis meses de duração, que resultou na condenação de quatro homens envolvidos nos atentados. Após sua prisão, Mohamed disse aos agentes do FBI que ele não tinha remorsos pelo ataque. Após ter conduzido o processo contra Al-´Owhali com base quase exclusiva nos depoimentos emocionados das vítimas, os promotores adotaram outra tática em relação ao caso de Mohamed - que teve como foco um selvagem ataque a um guarda da prisão no ano passado, enquanto os réus aguardavam julgamento. Mohamed foi acusado de ajudar seu companheiro de cela a emboscar o guarda Louis Pepe durante uma tentativa de fuga. Os jurados ouviram outros guardas descreverem o horror de ver um pente afiado penetrar no olho esquerdo de Pepe. Os promotores disseram que esse ataque, que causou danos permanentes ao cérebro de Pepe, provou que Mohamed era perigoso e que tentaria fugir novamente se contiuasse atrás das grades. "Uma sentença de prisão perpétua para Mohamed é uma sentença de morte para o próximo guarda que se distrair", disse o promotor Michael García. A defesa, por sua vez, argumentou que Mohamed foi um espectador que ignorava a tentativa de fuga de seu companheiro de cela e que se tornou vítima da retaliação dos guardas, que quebraram seu nariz com um soco inglês. Os amigos e a família de Mohamed testemunharam para descrever sua infância em Pemba, uma pequena ilha do arquipélago de Zanzibar, onde seu pai morreu quando ele tinha apenas 7 anos. O acusado chorou quando sua mãe disse aos jurados que sofreria muito se ele fosse condenado à morte.

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