Fredrik Sandberg/Efe
Fredrik Sandberg/Efe

Terrorista explodiria três endereços, afirma polícia sueca

Bombas no corpo do iraquiano teriam se detonado por acidente, antes de ele chegar a dois locais que queria atacar

, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2010 | 00h00

A polícia continuou ontem as buscas numa casa em Bedfordshire, na Grã-Bretanha, seguindo a investigação sobre as ligações que o autor do atentado que feriu duas pessoas em Estocolmo, na Suécia, tem no país.

Iraquiano naturalizado sueco e responsável pela explosão de um carro, Taimour Abdulwahab al-Abdaly, suicidou-se depois da primeira explosão, com uma segunda bomba atada ao corpo. Formado em terapia esportiva na Universidade de Bedfordshire em 2004, nos últimos tempos passou períodos em Luton, na Grã-Bretanha.

Autoridades britânicas confirmaram a identidade do homem e a universidade confirmou que ele foi seu aluno por três anos. A polícia sueca confirmou ontem oficialmente que Abdaly foi o autor dos atentados.

De acordo com o jornal sueco Expressen, o serviço de segurança do país acredita que Abdaly planejava atacar ao todo três locais, mas os artefatos que ele carregava acabaram explodindo acidentalmente. A desconfiança é de que as outras explosões ocorreriam na principal estação ferroviária de Estocolmo e numa grande loja de departamentos da cidade. "Está claro que ele queria criar um grande caos e ferir o maior número possível de pessoas", disse o jornal, citando uma fonte da polícia.

Uma organização ligada à Al-Qaeda chamada Estado Islâmico do Iraque elogiou o ataque pela internet. O site Al-Hanin fez uma fotomontagem que incluiu uma foto de Abdaly admitindo que ele era membro do grupo e foi o autor da explosão em Estocolmo. A organização não assumiu diretamente a responsabilidade pelo atentado, mas o aprovou totalmente no site.

Abdaly é descrito como um mujahedin. Num outro fórum islâmico, na internet, ele é chamado de "irmão", embora isso não indique necessariamente que ele era um afiliado.

Membros da polícia metropolitana de Londres vasculharam uma casa com terraço em Luton com base num mandado de busca expedido de acordo com uma lei antiterror de 2000. A casa foi isolada pelos policiais.

A informação era de que a família de Abdaly ainda vivia em Luton - cidade que registra conflitos entre extremistas muçulmanos e de extrema direita - e os vizinhos o teriam visto pela última vez há dois anos e meio. Quando viveu na cidade, o terrorista chegou a ser expulso de uma mesquita por causa de sua postura.

Segundo a imprensa sueca, porém, os parentes de Abdaly não têm mais contato com ele. "Ele não disse para onde ia. Toda a família está chocada e quer entender o que sucedeu", disse o pai do rapaz ao jornal Expressen.

Tahir Hussain, de 33 anos, motorista de táxi que vive em Luton conhecia Abdaly. "Ele viveu aqui cerca de um ano. Falava pouco com ele, dizia bom dia, boa tarde. Ele parecia uma pessoa muito simpática. Nunca pensei que faria algo assim." Hussain disse também que sempre via o homem com os três filhos no jardim. "Sua mulher costumava cobrir o rosto, e usava uma túnica marroquina. Você podia dizer que (Abdaly) era uma pessoa religiosa." / THE GUARDIAN

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