Terroristas bascos acenam com deposição de armas

Em uma declaração publicada neste domingo pelo jornal basco Gara, o grupo separatista ETA assumiu a autoria de uma série de atentados violentos, ao mesmo tempo em que sugeriu que estaria disposto a depor as armas caso o governo espanhol aceite submeter à votação a proposta da independência do País Basco. A mensagem do ETA, o último grupo da Europa ocidental a empreender uma luta política violenta, parece indicar que o grupo estaria encurralado depois dos ataques terroristas em Nova York e Washington, assim como pelo anúncio do desarme formulado esta semana pelo Exército Republicano Irlandês (IRA). Governo rejeita No entanto, qualquer possibilidade de reconciliação foi rechaçada pelo presidente do governo espanhol, José María Aznar, que já havia negado a possibilidade de um referendo sobre a independência basca e que hoje afirmou que os atentados nos EUA deixaram claro que as "mostras de tolerância aos terroristas representam um ato suicida". Em sua mensagem, o ETA, cuja sigla em basco significa "pátria basca e liberdade", informou que havia perpetrado 11 ataques desde o dia 24 de julho, como parte de sua luta por um Estado independente que inclua os territórios bascos na Espanha e sudoeste da França. Tais ataques incluíram carros-bomba que feriram dezenas de pessoas em 12 de outubro no coração da capital, em 27 de agosto no aeroporto madrileno de Barajas, e em 16 de agosto no complexo turístico de Salou, próximo a Barcelona. Ninguém morreu nestes ataques. Na mesma declaração, o ETA afirmou: "A paz é possível, claro que sim, e a mão do ETA sempre estará estendida". O grupo vem sofrendo uma série de revezes desde maio, quando os partidos que o apoiavam sofreram uma grande derrota nas eleições para renovar um parlamento regional. Em declarações prévias, o ETA já havia assumido a responsabilidade pela morte de mais de 800 pessoas desde que iniciou sua campanha violenta no final dos anos 60.

Agencia Estado,

28 Outubro 2001 | 20h40

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