Michel Euler|AP
Michel Euler|AP

Terroristas de Paris planejavam novo ataque

Investigações revelam que mentor de atentado voltou a locais atacados no dia 13

Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2015 | 23h21

Considerado o mentor dos atentados que deixaram 130 mortos em Paris no dia 13, o belga Abdelhamid Abaaoud retornou ao local dos crimes, entre eles a casa de shows Bataclan, nas três horas que se seguiram aos ataques. O terrorista coordenava uma quarta equipe que planejava um novo ataque entre 18 e 19 de novembro no distrito de negócios de La Défense, na capital francesa.

O avanço das investigações pelo Ministério Público francês revelou ainda que um segundo terrorista, Mohamed Abrami, está foragido. As revelações foram feitas nesta terça-feira pelo procurador de Paris, François Molins, que coordena os trabalhos da Seção Antiterrorismo do MP desde os ataques.

A partir da localização do telefone celular que Abaaoud portava na noite dos massacres, foi possível reconstituir seus deslocamentos por Paris e por Saint-Denis antes e depois dos atentados. As informações indicam que o belga deixou três suicidas em um primeiro comando que atacou o Stade de France. A seguir, ele teria participado dos ataques a restaurantes do 10.º e do 11.º distritos de Paris.

Uma vez que os atentados já haviam sido perpetrados, Abaaoud retornou à cena do crime entre 22h28 de 13 de novembro e 0h28 do dia seguinte, momento em que a operação das forças especiais da polícia (BRI) ainda tentava dominar o comando que atacava a casa de shows Bataclan, onde 89 pessoas morreram.

“A localização da suposta linha de Abdelhamid Abaaoud atestou uma presença no 12.º, 11.º, 10.º distritos de Paris, e em especial nas proximidades do Bataclan”, afirmou Molins. “Assim, podemos crer que ele retornou às cenas dos crimes cometidos nos restaurantes enquanto a BRI intervinha no Bataclan.”

Com ajuda de sua prima, Hasna Ait Boulahcen, o terrorista conseguiu se refugiar em um apartamento no centro de Saint-Denis. Ali, uma quarta célula coordenada por ele preparava um atentado contra o distrito de negócios de La Défense, que seria cometido em 18 ou 19 de novembro.

A ação foi abortada por uma megaoperação policial em 17 de novembro, que descobriu o esconderijo dos três terroristas, abatidos durante a intervenção das forças de segurança.

Foragidos. “Elementos que encontramos nos fazem crer que os dois terroristas, Abaaoud e o homem encontrado ao seu lado no apartamento, tinham um projeto de cometer um atentado contra La Défense”, confirmou Molins.

O MP também revelou que há um segundo foragido, além do belga Salah Abdeslam, de 26 anos. Mohamed Abrini, também belga, de 30 anos, morador do mesmo distrito de Molenbeek, em Bruxelas, onde os atentados foram planejados, foi identificado graças a exames de DNA.

Imagens de circuito interno de TV encontradas pela polícia o mostram em companhia de Abdeslam em um posto de gasolina, dirigindo o mesmo carro usado pelos terroristas, dois dias antes dos ataques. De acordo com Molins, seu papel no atentado ainda não é conhecido, mas se trata de um homem perigoso que provavelmente está armado.

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