Terroristas desafiam novo governo com atentado no centro de Bogotá

Destruição e susto. Explosão de carro-bomba com 50 quilos de explosivos fere 18 pessoas diante da maior emissora de rádio e televisão da Colômbia; ataque ocorre cinco dias depois da posse do presidente Juan Manuel Santos, conhecido por ação contra as Farc

João Paulo Charleaux com Reuters, Ap, Efe e Afp, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2010 | 00h00

Desafio. Policiais colombianos vasculham destroços da explosão em busca de novas pistas sobre os autores do atentado            

 

 

 

BOGOTÁ

Menos de uma semana depois da posse do presidente Juan Manuel Santos, a Colômbia foi atingida por um atentado a bomba contra o prédio onde ficam a Rádio Caracol e a sede local da agência EFE, no centro de Bogotá. O ataque - que deixou 18 feridos, mas não provocou mortes - esfriou as esperanças de trégua imediata no conflito que castiga os colombianos há 46 anos. Até ontem, nenhum grupo armado havia assumido a autoria da ação.

[ ]De acordo com a polícia, um Chevrolet Swift carregado com 50 quilos de explosivos foi detonado por celular diante do edifício de 12 andares, às 5h30 (7h30 em Brasília).

No momento da explosão, o jornalista Darío Arizmendi, diretor-geral da rádio, apresentava o noticiário da manhã. Depois de um longo silêncio na transmissão, ele anunciou no ar: "Atenção, acaba de ocorrer uma gravíssima explosão aqui no estúdio da Rede Caracol. Caiu uma boa parte do teto. Há pânico. Um automóvel explodiu diante do edifício. Ainda não sabemos o que houve."

Equipes de socorro foram imediatamente para o local, que teve a fachada danificada e as janelas destruídas. Um buraco foi aberto no asfalto. Ao todo, 120 lojas e casas foram afetadas pela explosão. Dos 18 feridos, 3 estão em estado grave.

Assim que soube do ataque, Santos seguiu para a emissora e concedeu uma entrevista na qual culpou genericamente os "terroristas" pela ação. "Querem perturbar, causar medo na população. Não vão conseguir. Pelo contrário, isso nos lembra que não devemos baixar a guarda", disse.

A solidariedade de presidentes - entre eles o venezuelano, Hugo Chávez, e o equatoriano, Rafael Correa - foi imediata (mais informações nesta página).

Este é o segundo ataque contra a Rádio Caracol, maior emissora de TV e rádio colombiana, desde 2002, quando explosivos detonados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) causaram danos materiais na antiga sede da emissora.

"Não sabemos por que fomos atacados agora", disse ao Estado o chefe de redação da Caracol, Ricardo Ospina. "Não recebemos nenhuma ameaça nem temos suspeitos. Só podemos esperar que as investigações avancem. Por enquanto, continuaremos fazendo nosso trabalho com a determinação de sempre."

Ainda ontem, a Justiça colombiana ordenou a prisão de cinco pessoas que haviam sido surpreendidas, no dia 6, com 43 detonadores e 194 quilos de explosivos do tipo Anfo - produzidos com uma mistura de combustíveis líquidos igual à usada no atentado de ontem. O grupo havia sido liberado, segundo a polícia, por "erros de procedimento das autoridades".

Investigações. O ministro da Defesa da Colômbia, Rodrigo Rivera Salazar, disse já ter indícios claros dos autores da ação. No entanto, o chefe da polícia local, Óscar Naranjo, pediu paciência para que as autoridades avancem nas investigações.

PARA LEMBRAR

Presidência de Uribe começou com 4 ataques

Álvaro Uribe, antecessor do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, enfrentou quatro ataques durante o primeiro semestre de seu governo, entre agosto de 2002 e fevereiro de 2003. No dia de sua posse, as Farc dispararam vários foguetes contra o palácio presidencial. Eles atingiram um quarteirão próximo e mataram 27 pessoas em um incêndio.

O mais violento ataque durante o governo Uribe ocorreu na boate El Nogal, em Bogotá, no dia 7 de fevereiro de 2003, com 36 mortos e 200 feridos. A ação foi atribuída às Farc e o tipo de explosivo utilizado foi semelhante ao que a polícia encontrou na Rádio Caracol depois do ataque de ontem.

HISTÓRICO DE ATAQUES A BOMBA

1985

Primeiro carro-bomba é detonado por traficantes

1989/1990

Pablo Escobar ordena série de atentados

2002

Na posse de Uribe, Farc

atacam sede presidencial

2010

Em março, bomba mata 9 em Buenaventura, na costa

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