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Terroristas presos queriam atentados maiores do que 11/9

Os sete homens presos acusados de formarem um suposto complô para bombardear o mais alto edifício dos Estados Unidos faziam parte de uma célula de "terroristas locais" que queria trabalhar com a Al-Qaeda, mas que acabou conspirando com um agente americano, informou nesta sexta-feira o procurador-geral do país, Alberto Gonzales. A intenção dos sete era realizar um atentado "tão grande ou maior que o 11 de Setembro", afirmou o procurador."Eles eram pessoas que, por qualquer razão, passaram a enxergar seu próprio país como inimigo", disse Gonzales, ao revelar os planos dos terroristas contra a Sears Tower, em Chicago, e contra um edifício federal em Miami.Gonzales enfatizou que "não há ameaça imediata" em Chicago ou Miami porque o grupo não obteve o material que vinha buscando. O vice-diretor do FBI, John Pistole, concordou, acrescentando que o "grupo aspirava mais do que operava". O procurador esclareceu, no entanto, que o pequeno número de integrantes do grupo não significa menor risco. "Atualmente, as ameaças terroristas podem vir de pequenas células", disse Gonzales. O procurador ressaltou que estes "terroristas locais" podem ser "tão perigosos como os grupos da Al-Qaeda".Os presos fariam parte de uma "nova variedade de terroristas", segundo o diretor do FBI, Robert Mueller. Esses extremistas formam células e grupos inspirados na Al-Qaeda, ainda que não tenham uma vinculação orgânica com essa organização. "É o que vimos em Madri e Londres", explicou Mueller, referindo-se a atentados ocorridos nessas cidades. Os presosOs sete indivíduos - todos com idade entre 22 e 32 anos - foram acusados por um júri federal em Miami. Seis foram presos na quinta-feira em Miami, quando autoridades invadiram um depósito na área da Cidade da Liberdade. O sétimo integrante foi preso em Atlanta. Cinco são cidadãos norte-americanos e os outros dois são haitianos - um legalmente no país e outro ilegalmente.Todos prestaram um juramento à Al-Qaeda e pediram ajuda para um homem que acreditavam ser membro da organização terrorista, mas que na verdade era um informante do governo americano.Cinco dos réus, incluindo o suposto líder do grupo, Narseal Batiste, foram apresentados à corte federal no centro de Miami nesta sexta-feira. Eles foram levados para dentro e para fora da corte em fila indiana, unidos por uma corrente presa em seus pulsos e seus tornozelos, e sob forte esquema de segurança.Nenhuma alegação foi feita durante a breve audição. O juiz norte-americano Patrick White marcou outra audição para a próxima sexta-feira, quando irá analisar o pedido de prisão preventiva enviado pelos promotores. White também indicou advogados para Batiste e outros quatro réus após todos afirmarem que não terem condições de contratar um.Em resposta aos questionamentos do juiz, Batiste disse que era "autônomo" e recebia cerca de US$ 30.000 por ano, embora não tenha dados detalhes. Ele também afirmou ser pai de quatro filhos. No indiciamento apresentado na quinta-feira, Gonzales acusa Batiste de ter recrutado e começado a treinar os jovens em novembro de 2005 "em uma missão de guerra contra o governo americano", incluindo um plano para destruir a Sears Tower.Para obter dinheiro e apoio para sua missão, os conspiradores pediram ajuda à Al-Qaeda, prestaram um juramento à organização terrorista e apoiaram um complô para destruir edifícios do FBI. InformanteBatiste se encontrou várias vezes em dezembro de 2005 com um suposto membro da Al-Qaeda para pedir-lhe botas, uniformes, metralhadoras, rádios, veículos e US$ 50.000 em dinheiro para ajudá-lo a construir um "´Exército islâmico´ para travar a jihad (guerra santa)". Ainda segundo o procurador-geral, "o indivíduo que eles pensavam ser um membro da Al-Qaeda era na realidade um membro da Força Tarefa Contra Terrorismo do Sul da Flórida". Em fevereiro de 2006, Batiste teria dito ao "membro da Al-Qaeda" que ele e seus cinco soldados queriam participar de treinamentos do grupo e planejavam realizar uma "guerra total" contra os Estados Unidos com o objetivo de "matar todos os demônios que pudermos". Sua missão seria "tão grande ou maior que o 11 de Setembro", completou o procurador.Os sete foram acusados de conspirar "maliciosamente para danificar e destruir com explosivos" o prédio do FBI em Miami Beach e a Sears Tower.Eles também foram fichados por conspiração "contra os EUA". Segundo a promotoria de Miami, a pena pode chegar a 70 anos de prisão.As autoridades americanas esclareceram que o plano terrorista foi descoberto em uma fase preliminar. Não foram encontrados, por exemplo, explosivos com os suspeitos. O grupo era vigiado desde dezembro. Atualmente, eles estavam buscando materiais para concretizar os atentados. Os detidos viviam em um bairro pobre no norte de Miami. Vários deles tinham antecedentes judiciais por crimes comuns. A operação encarregada das prisões foi executada por uma força conjunta antiterroristas, liderada pelo FBI.

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