Terroristas também estão de olho no fluxo de petróleo

No último domingo, o superpetroleiro francês "Limburg" foi atacado nas águas territoriais do Iêmen. Imediatamente, o Iêmen garantiu que o barco tinha sido vítima de um acidente e não de um atentado islamita.Logo depois, suspeita-se tratar-se de uma grande mentira. Hoje a mentira foi confirmada. Os especialistas franceses e americanos que investigaram o local são categóricos: "A explosão foi provocada por pessoas nefastas, por terroristas", dizem os detetives americanos.Por que esse atentado? Um assunto interno? O Iêmen (país em que nasceu a família Bin Laden) é cheio de terroristas e de islamitas. O atual presidente do Iêmen, que escolheu lutar contra os terroristas e apoiar os americanos, é constantemente ameaçado pelos islamitas. A explosão visaria, então, desestabilizá-lo.Mas uma ação tão violenta deve ser questionada também no âmbito internacional. É provável que ela faça parte de um projeto global, lento e de longa duração, imaginado pela Al-Qaeda (ou por pessoas que a apóiam) contra todos os interesses do Ocidente.Há poucos dias, o "número 2" da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, declarou à rede do Catar, Al-Jazira: "A juventude combatente enviou uma mensagem à Alemanha e à França. Se essas doses não foram suficientes, com a ajuda de Deus, nós as aumentaremos".O alvo dos terroristas não é algo sem importância: um superpetroleiro, um desses monstros que transportam o petróleo de um lado a outro do planeta. Ora, o petróleo tem um duplo valor.Ele tem uma importância simbólica. Em grande parte é produzido pelo Oriente Médio árabe e serve para nutrir a máquina industrial ocidental, fundamentalmente a americana. Ele é familiar à vontade guerreira de George W. Bush (um homem do setor do petróleo, como seu pai) contra o Iraque, país cujas reservas de petróleo são gigantescas e que, se Saddam Hussein fosse varrido, poderiam permitir aos Estados Unidos serem menos dependentes do que o são, hoje, da Arábia Saudita.Mas o petróleo tem também um sentido concreto, um sentido econômico: se o petróleo viesse a se esgotar, toda a mecânica do mundo enguiçaria. E, sobretudo, a mecânica americana, que é a mais ávida, e de longe, em matéria de petróleo.Ora, o comércio dos produtos petrolíferos é vulnerável: ele utiliza oleodutos (geralmente caros) ou navios petroleiros cada vez mais monumentais. Navios petroleiros ou os navios transportadores de metano constituem alvos fáceis para aviões sem pilotos, mísseis ou mesmo camicases.Obviamente, esses navios seguem itinerários extremamente rotineiros. Por exemplo, 20% da produção mundial transita pelo canal de Ormuz.Bastariam algumas destruições como a que foi feita no "Limburg" para que o preço do barril subisse. Atualmente, ele se encontra entre 22 e 26 dólares. É alto, mas suportável.Se a guerra do Iraque explodir, os especialistas temem que o barril chegue a 60 dólares. Se preços altíssimos como esse não se prolongassem por mais que poucos dias, o choque seria absorvível. Mas se durar, toda a economia ocidental será paralisada.

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