Tese de terrorismo em voo na Ásia perde força

Governo da Malásia suspeita que os dois passageiros que viajavam com passaportes roubados faziam parte de uma quadrilha de falsários

11 de março de 2014 | 00h21

Sem avanços na localização do avião desaparecido a caminho de Pequim, no sábado, as investigações sobre o Boeing 777 da Malaysia Airlines concentraram-se nesta segunda-feira na identificação dos dois passageiros que embarcaram com passaportes falsos. O Departamento de Aviação Civil da Malásia afirmou que os dois faziam parte de uma quadrilha de ladrões de documentos, o que ajudaria a afastar a tese de que estivessem envolvidos em uma ação terrorista.

As autoridades da Malásia - de onde partiu o avião - identificaram os dois homens, mas as nacionalidades não foram reveladas. A identificação foi feita a partir da análise de imagens de câmeras de segurança do aeroporto de Kuala Lumpur. Os responsáveis pela investigação ressaltaram que os homens não eram uigures - etnia muçulmana separatista do leste da China - e não tinham aparência asiática.

A CNN afirmou que um cidadão iraniano, identificado como Kazem Ali, comprou as passagens dos dois e as pagou em dinheiro. Citando fontes que não quiseram se identificar, o canal noticiou que Ali disse à polícia ter comprado as passagens para dois amigos que estavam retornando para a Europa.

A lista de passageiros cita o italiano Luigi Maraldi e o austríaco Christian Kozel. Os dois tiveram os passaportes roubados na Tailândia e não estavam a bordo do avião. As passagens foram emitidas em seus nomes e ambas tinham como origem Kuala Lumpur, com parada em Pequim e destino final Amsterdã, na Holanda. Os dois, depois, seguiram para dois pontos diferentes, um para a Dinamarca e outro, para a Alemanha.

O embarque de dois passageiros com passaportes falsos alarmou autoridades, principalmente a Interpol, que mantém um banco de dados com os registros de cerca de 40 milhões desses documentos roubados ou perdidos de 167 países.

O grande mercado clandestino de documentos na Tailândia é conhecido pelas autoridades locais e pela Interpol. Os passaportes roubados são utilizados para o tráfico de pessoas.

A Interpol garantiu que os documentos não foram checados em seu banco de dados, enquanto autoridades locais argumentaram que todos os protocolos de segurança foram seguidos.

Buscas. O mistério sobre o que aconteceu com o voo MH370 com 227 passageiros e 12 tripulantes a bordo continuava sem solução depois de mais quatro dias. As buscas voltaram à estaca zero nesta segunda-feira depois que as primeiras pistas sobre a localização da aeronave foram descartadas. Nem o combustível nem os objetos encontrados no mar, no fim de semana, pertenciam ao avião.

O esforço de busca envolve 34 aviões e 40 navios de vários países, que trabalham em um raio de 185 km no Golfo da Tailândia. Várias agências de inteligência internacionais participam da investigação.

Nesta segunda, a Comissão Preparatória da Organização do Tratado para a Proibição Completa dos Testes Nucleares (CTBTO, na sigla em inglês) informou que seus especialistas tentarão identificar se houve uma explosão em grande altitude no local do desaparecimento do avião.

O diretor executivo da CTBTO, Lassina Zerbo, explicou que os técnicos analisarão sensores infrassônicos em estações na região para verificar se houve algum registro associado a uma explosão. / EFE, AP e NYT

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