Tesouro dos EUA defende 'pressão máxima'

Geithner, em reunião dos 'Amigos da Síria', diz que sanções progressivas abalarão a capacidade de Assad de reprimir

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2012 | 03h02

Pessimistas em relação a um cessar-fogo na Síria, os EUA defenderam ontem a adoção de "pressão econômica máxima" e, "se necessária", a intervenção militar internacional no país. A posição foi manifestada pelo secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, na abertura da reunião dos 55 membros do Grupo de Amigos do Povo Sírio, copresidido por EUA, Catar e Turquia. A China e a Rússia, antecipando essas declarações, reforçaram seu veto a qualquer solução militar para a crise síria.

O encontro de ontem, em Washington, ressaltou a dificuldade do enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe à Síria, Kofi Annan, de promover o cessar-fogo. O massacre de 108 habitantes do vilarejo de Hula, há duas semanas, reforçou a visão do governo americano, compartilhada pela Liga Árabe, sobre a urgência de novas medidas para ampliar o isolamento político e econômico do regime de Bashar Assad e a possível necessidade de ação militar.

"Fortes sanções, adotadas com eficácia e de forma agressiva, podem privar o regime sírio dos recursos necessários para sua sustentação e para a continuidade da repressão contra o povo sírio. E sanções fortes podem ajudar a acelerar a renúncia do regime de Assad", afirmou Geithner.

"Nós, os EUA, esperamos que todos os países responsáveis se unam a nós na aplicação de ações econômicas adequadas contra o regime sírio, incluindo, se necessário, o recurso ao Capítulo 7.º (trecho da Carta da ONU que autoriza o uso da força) pelo Conselho de Segurança, como foi indicado no último fim de semana pela Liga Árabe."

A Casa Branca e o Departamento de Estado reforçaram a posição expressa por Geither. A secretária de Estado, Hillary Clinton, afirmou serem "bem-vindas" as visões de outros países sobre medidas adicionais contra a Síria. O regime de Assad, acentuou ela, precisa "parar com as atrocidades, comprometer-se com o plano de Annan e permitir o início da transição na Síria".

Hillary não chegou a mencionar uma ação militar, mas o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, assinalou que "todas opções" estão sendo discutidas.

Novas medidas contra a Síria, entretanto, não foram mencionadas. Na semana passada, o Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções contra o Banco Islâmico Internacional da Síria, que vinha ajudando o Banco Comercial da Síria a escapar das retaliações em curso sobre operações de comércio exterior.

A pressão dos EUA e seus aliados do Grupo de Amigos foi previamente rebatida na reunião de cúpula China-Rússia, em Pequim. Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores russo, advertiu que a mudança do regime sírio pode resultar numa "catástrofe", culpou a oposição síria por ter rompido o cessar-fogo e pediu à comunidade internacional que resista aos chamados para a deposição de Assad e a ação militar.

Lavrov propôs ainda a organização de uma conferência internacional de alto nível, com a participação do Irã, para discutir a crise síria. "A Rússia e a China estão decisivamente contra as tentativas de resolver a crise síria por meio de uma intervenção militar externa, assim como pela imposição de uma mudança no regime", registrou o comunicado final do encontro.

Nos EUA, o governo de Barack Obama foi qualificado de "vergonhoso" pelo senador republicano John McCain por ter abandonado a oposição síria ao regime de Assad. Derrotado por Obama na eleição presidencial de 2008, McCain defendeu uma intervenção unilateral dos EUA e o envio de armas para os opositores. "Nós não precisamos de uma resolução (do Conselho de Segurança) das Nações Unidas (para sua ação) em Kosovo", afirmou o líder republicano na Comissão de Serviços Armados do Senado.

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