Tesouros arqueológicos correm perigo no Cairo

Duas múmias tiveram as cabeças arrancadas e relíquias com até 2,5 mil anos acabaram depredadas por vândalos no Museu Egípcio

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2011 | 00h00

A polícia desapareceu da cidade do Cairo, o Exército não garante a proteção em todas as regiões e dezenas de edifícios públicos e privados foram destruídos nos últimos dias. Mas, pelo menos um deles, está recebendo atenção especial. Trata-se do Museu Egípcio, que acolhe uma das coleções arqueológicas mais importantes do mundo. No centro do Cairo, o local fica a poucos metros do epicentro dos protestos no Egito.

Em várias partes do país, o caos abriu a possibilidade para que relíquias da Antiguidade fossem roubadas por oportunistas que se aproveitam do momento para lucrar com peças milionárias. Na madrugada do domingo, o Estado credenciou um grande contingente militar para proteger exclusivamente o museu. Um dos tanques do Exército foi colocado justamente no principal portão, usado como bilheteria para os milhares de turistas que visitam o museu a cada ano. Na sexta-feira, incêndios atingiram uma parte do prédio.

Mesmo assim, um incidente causou a indignação de muitos no Egito. Duas múmias tiveram as cabeças arrancadas e relíquias com até 2,5 mil anos foram danificadas no Museu Egípcio. "Por anos criticamos os Estados Unidos por não terem protegido o Museu de Bagdá durante a queda de Saddam Hussein. Agora, não podemos deixar o mesmo acontecer aqui", disse Ahmed Ibrahim. A derrubada de Saddam foi seguida de um saque quase completo das relíquias históricas no museu que guardava algumas das raras peças ainda existentes sobre a Babilônia. O local havia sido deixado desprotegido.

Governos árabes e africanos vêm de fato subindo o tom de crítica aos países europeus, acusando-os de terem saqueado alguns dos tesouros artísticos e históricos de civilizações antigas durante os anos do colonialismo e do imperialismo. O próprio presidente Mubarak pediu nos últimos anos para que parte dessas obras roubadas fossem devolvidas ao Museu Egípcio.

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