Teste antidroga amplia desemprego local

Para suprir a demanda, empresas trazem funcionários de ônibus de Estados vizinhos

Cláudia Trevisan, ENVIADA ESPECIAL / MARTINSBURG, EUA

26 Novembro 2017 | 05h00

Martinsburg fica na região mais rica de um dos mais pobres Estados dos EUA, a Virgínia Ocidental. Em anos recentes, a cidade atraiu grandes investimentos, como um centro de distribuição da loja de departamentos Macy’s e uma unidade da Proctor & Gamble. Mas as empresas enfrentaram dificuldade para preencher todas as suas vagas com a população local, já que muitos não passaram nos testes que detectam drogas. Para suprir a demanda, elas trazem funcionários de ônibus de Estados vizinhos. 

“No ano passado, houve uma conferência de autoridades locais para discutir a epidemia de opioides e a conclusão foi a de que 60% da população jovem e adulta da Virgínia Ocidental têm problemas de abuso de substâncias tóxicas”, disse Brian Costello, chefe do Serviço de Emergência de Ambulâncias do condado de Berkeley, que participou do encontro. “Isso afeta a força de trabalho e a capacidade de crescimento econômico.”

Em depoimento no Congresso no mês de julho, Janet Yellen, ex-presidente do Federal Reserve (o Banco Central americano), avaliou que a crise de opioides está relacionada à redução da participação na força de trabalho americana registrada nos últimos anos. “Eu não sei se é a causa ou o sintoma de prolongados males econômicos que afetam essas comunidades, que em particular afetam trabalhadores que viram suas oportunidades de emprego declinar.”

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Estudo divulgado em agosto pelo economista Alan Krueger, da Universidade de Princeton, concluiu que a epidemia de opioides é responsável por 20% da queda na participação de homens na força de trabalho e de 25% entre as mulheres.

“A participação na força de trabalho caiu mais em áreas onde relativamente mais medicamentos à base de opioides foram prescritos, fazendo com que o problema da queda na participação na força de trabalho e a crise de opioides ficassem interligados”, escreveu Krueger.

Em Virgínia Ocidental, apenas 53% da população jovem e adulta participa da força de trabalho, 10 pontos porcentuais abaixo da média nacional. “Felizmente, encontrar emprego aqui não é um problema”, disse Kevin Knowles, diretor do Centro Comunitário de Recuperação do condado de Berkeley. “O problema é encontrar funcionários para preencher essas vagas.”  

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