Teste com tampa instalada pela BP em poço não é conclusivo

A tampa experimental que a British Petroleum (BP) instalou para conter o vazamento de petróleo do poço Macondo, no Golfo do México, parece ter funcionado, mas mais testes ainda serão necessários. Kent Wells, vice-presidente da BP, disse que os engenheiros que estão analisando os sensores de pressão, temperatura e outros dados não viram nenhuma evidência de que o vazamento pudesse ter recomeçado. Robôs submarinos também estão patrulhando o local em busca de sinais de possíveis problemas.

AE-AP, Agência Estado

17 de julho de 2010 | 14h15

Uma nova rachadura subterrânea era uma das maiores preocupações dos testes, porque se o petróleo começasse a vazar dos canos no fundo do mar seria ainda mais difícil controlar o desastre e poderia comprometer os planos de um fechamento permanente do vazamento. "Nós estamos nos sentindo mais confortáveis. Mas os testes não acabaram ainda", disse Wells.

A BP e o almirante reformado da Guarda Costeira dos Estados Unidos, Thad Allen, que foi designado pelo governo para cuidar do caso, afirmaram que talvez fosse necessário reabrir o poço que estava vazando, pelo menos parcialmente, 48 horas após o fim do período de testes, que acabou na tarde deste sábado. Mas não ficou claro quais condições levariam a essa reabertura.

A BP conseguiu encerrar o vazamento no poço na tarde de quinta-feira pela primeira vez, após a explosão da plataforma Deepwater Horizon, no dia 20 de abril, que matou 11 trabalhadores e causou um incêndio que iniciou o vazamento, 1,5 quilômetro abaixo do nível do mar.

A tampa instalada na quinta-feira funciona como uma rolha gigante, mantendo o petróleo dentro do poço. Os cientistas estão observando atentamente para verificar se o aumento da pressão subterrânea causa novos vazamento no poço ou no entorno.

Cerca de 41 horas após a instalação da tampa, a pressão era de 6.745 libras por polegada quadrada (psi, na sigla em inglês), e subia lentamente, disse Wells. A pressão ainda está abaixo de 7.500 psi, o que mostraria com certeza que o poço não está vazando. Uma pressão mais baixa do que esse índice, ou em queda, pode significar que o petróleo está escapando por algum lugar imperceptível. Segundo Wells, a pressão está subindo cerca de 2 psi por hora, abaixo do aumento entre 2 e 10 psi que a petroleira informou na sexta-feira.

Wells disse que as bolhas observadas em vídeos feitos no fundo do mar são normais, mas que iria ser feita uma análise para verificar se o poço não está vazando gás.

Além de manter o petróleo dentro do poço, a tampa também é capaz de enviá-lo para a superfície, onde seria armazenado em navios. Mas não está claro ainda se isso vai ser feito caso os testes de pressão deem certo. De qualquer forma, a BP afirma que essa é apenas uma medida temporária, enquanto um poço de alívio é concluído, para que possa ser bombeado lama e cimento para fechar o poço com defeito permanentemente e com mais segurança.

A BP está perfurando dois poços de alívio, um deles como precaução. Wells disse que o primeiro está progredindo conforme eles esperavam, e deve atingir o poço com defeito no fim deste mês. Depois, o projeto de bombear a lama e o cimento pode levar "alguns dias ou semanas".

De acordo com as estimativas do governo, até agora já vazaram no mar do Golfo entre 94 milhões e 184 milhões de galões de petróleo (entre 356 milhões e 697 milhões de litros).

Tudo o que sabemos sobre:
British PetroleumBPpetróleovazamento

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.