Teste de foguete da Coreia do Norte provoca preocupação regional

Países vizinhos condenam iniciativa de Pyongyang, alegando violação de resolução da ONU

Reuters

16 de março de 2012 | 09h42

SEUL - A Coreia do Norte afirmou nesta sexta-feira, 16, que irá lançar no mês que vem um foguete de longo alcance com um satélite "em funcionamento" para marcar o centenário do nascimento do fundador do país, Kim Il-sung, o que gerou condenação de países vizinhos por supostamente violar uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU).

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que o anúncio era altamente provocativo e pediu ao governo norte-coreano que honre as suas obrigações, incluindo as resoluções do Conselho de Segurança da ONU proibindo lançamentos de mísseis balísticos. "Esse lançamento de um míssil seria uma ameaça à segurança regional e também seria inconsistente com o compromisso recente da Coreia do Norte de se abster dos lançamentos de mísseis de longo alcance", disse ela em comunicado.

A Coreia do Norte, que recentemente disse que suspenderia seus testes de mísseis como parte do diálogo com os Estados Unidos, prometeu que o lançamento em abril não terá impacto nos países vizinhos. Mas especialistas dizem que claramente se trata do teste de um míssil de longo alcance e que pode ser visto como um ato ameaçador para pressionar Washington a negociar a oferta de mais assistência financeira em troca do desarmamento norte-coreano.

A Coreia do Sul, que permanece tecnicamente em guerra contra o Norte desde o armistício de 1953, disse que o lançamento balístico é uma provocação e uma ameaça à segurança regional.

Vizinhos

O Japão ecoou as acusações de Seul, dizendo que qualquer lançamento norte-coreano que use tecnologia de mísseis balísticos, mesmo de um satélite, viola as resoluções da ONU. "Pedimos à Coreia do Norte para que exerça máxima moderação e evite o lançamento", disse o chefe de gabinete do governo japonês, Osamu Fujimura.

Em abril de 2009, o Norte realizou um lançamento balístico semelhante, que resultou em uma nova rodada de sanções da ONU, agravando o isolamento político e econômico do regime comunista.

O primeiro estágio daquele foguete caiu no mar do Japão sem colocar nenhum satélite em órbita, e Tóquio protestou com irritação, prometendo abater qualquer foguete ou destroço que ameaçasse o seu território. Outro teste em circunstâncias semelhantes havia fracassado em 1998.

O anúncio do lançamento foi feito pela agência estatal de notícias KCNA, citando um porta-voz do Comitê Coreano para a Tecnologia Espacial. "A República Democrática Popular da Coreia vai lançar um satélite em funcionamento, o Kwangmyongsong-3, ele próprio fabricado com tecnologia autóctone para marcar o centésimo aniversário de nascimento do presidente Kim Il-sung", disse o texto.

A KCNA informou que o lançamento deve ocorrer entre os dias 12 e 16 de abril, mais ou menos coincidindo com uma eleição parlamentar na Coreia do Sul, e pouco mais de três semanas depois de uma cúpula global sobre segurança nuclear em Seul.

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