AFP PHOTO / KCNA
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Teste eleva tensões entre as Coreias

Seul anuncia que proibirá o acesso a seus cidadãos a complexo industrial conjunto com o Norte e retomará propaganda contra o regime

O Estado de S. Paulo

07 Janeiro 2016 | 18h25

SEUL - Um dia após o anúncio da detonação de uma bomba de hidrogênio por Pyongyang, as tensões entre as Coreias, tecnicamente em guerra desde 1953, elevaram-se nesta quinta-feira, 7. A Coreia do Sul anunciou que limitará o acesso de seus cidadãos ao centro industrial conjunto de Kaesong e retomará a propaganda contra o regime comunista na fronteira com o Norte, considerado um ato de guerra pelo adversário. 

Ao mesmo tempo, os EUA e seus dois principais aliados na Ásia, Japão e a própria Coreia do Sul, prometeram unir esforços para uma reação internacional ao novo teste nuclear. 

O Ministério da Unificação em Seul explicou que, “por enquanto”, só permitirá que os empresários sul-coreanos envolvidos diretamente no funcionamento das fábricas do complexo industrial de Kaesong poderão entrar no local e não especificou quanto tempo esta medida permanecerá em vigor. 

Fundado em 2004, o complexo é um símbolo da rara cooperação entre as duas Coreias. Nele, 55 mil operários norte-coreanos fabricam produtos de todo tipo para as empresas da Coreia do Sul e é o único projeto econômico conjunto mantido pelos dois países. Suas operações costumam ser alteradas em momentos de crise ou tensão militar entre eles.

Além disso, em resposta ao anúncio norte-coreano, Seul afirmou ontem que divulgará novamente um volume máximo de mensagens de propaganda na fronteira com a Coreia do Norte. “A difusão começará amanhã ao meio-dia (1 hora de Brasília)”, declarou um porta-voz da presidência. 

Em agosto, por vários dias, as forças armadas dos dois países permaneceram em estado de alerta máximo. Pyongyang mobilizou sua artilharia na fronteira, enquanto caça-bombardeiros sul-coreanos e americanos realizavam exercícios de simulação de bombardeios.

Os dois Estados alcançaram um acordo que pôs fim à escalada que ameaçava degenerar em conflito armado. Assim, a Coreia do Sul desligou os alto-falantes e o Norte disse lamentar a explosão de uma mina na fronteira que mutilou dois soldados coreanos.

Reação internacional. Enquanto isso, internacionalmente, continuavam as reações ao anúncio norte-coreano. O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e o presidente de EUA, Barack Obama, conversaram por telefone e pediram ações concretas e coordenadas para enviar uma mensagem clara ao regime de Kim Jong-un, para que cesse com seus testes atômicos e de mísseis. 

Obama também conversou com a presidente sul-coreana, Park Geun-hye, que pediu a ele uma resposta enérgica ante ao que considerou uma “grave provocação”. Segundo um comunicado divulgado por Seul, os dois disseram que o último teste nuclear requer “as sanções mais potentes e completas” contra o regime norte-coreano.

Na quarta-feira, em uma reunião de emergência, o Conselho de Segurança da ONU prometeu ampliar e endurecer as sanções adotadas contra a Coreia do Norte desde os testes anteriores (2006, 2009 e 2013). 

A Grã-Bretanha chamou o embaixador da Coreia do Norte ontem para condenar o teste nuclear “nos mais fortes termos” e disse apoiar novas medidas da ONU contra o país isolado.

Até ontem, a Coreia do Norte não havia reagido à ameaça de novas sanções, mas a agência oficial de notícias NKNA foi enfática: “Quanto maiores os esforços das forças hostis para isolar e prejudicar (a Coreia do Norte), maior será nossa dissuasão nuclear”, advertiu.

A Coreia do Norte anunciou ter realizado com sucesso um teste com uma bomba de hidrogênio, mas especialistas em armas colocaram em dúvida que o país tenha de fato alcançado o avanço que reivindicou.

Detectores sísmicos de todo o mundo registraram um tremor de 5,1 graus na escala Richter que aponta para um teste atômico subterrâneo na Coreia do Norte, que alcançou uma intensidade similar ou ligeiramente inferior ao realizado em 2013. O Observatório Sismológico da Universidade de Brasília também registrou o terremoto provocado pelo teste nuclear, como informou em seu website. / REUTERS, AFP e EFE

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