Teste mostra domínio de todos os estágios

O programa nuclear da Coreia do Norte dá medo ao Ocidente, não pelo fato isolado do teste subterrâneo, mas pela coerência técnica do empreendimento. Ambas as vertentes do projeto, os ensaios dos artefatos e o desenvolvimento dos veículos lançadores, são feitos dentro de um cronograma considerado correto, com cerca de 24 meses de intervalo entre os eventos - e, de acordo com o North Korea Advisory Group, de Washington, com resultados melhores a cada tentativa. O primeiro teste, em outubro de 2006, envolveu dois quilos de plutônio. O melhor do experimento, para o então secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, foi ter funcionado. "Só pudemos localizá-lo pelos gases emitidos", disse.De fato. Com cerca de 3,4 metros e quase 4 toneladas, o sistema não poderia ser instalado na ogiva do míssil Taepodong-2, de longo alcance. Para isso precisaria ser compactado até cerca de 1,8 metro e não ultrapassar 1,2 tonelada. A detonação rendeu cerca de 6 quilotons, um terço da capacidade projetada de 20 quilotons. Um quiloton é igual a mil toneladas de explosivo convencional. A prova realizada ontem foi bem diferente. Especialistas destacaram que a explosão pode ter atingido a marca dos 20 quilotons, o mesmo poder nominal da bomba de Hiroshima, mas com resultado efetivo maior: teria capacidade para destruir a Ilha de Manhattan. O impacto sismológico atingiu 4,3 graus na escala Richter. A Coreia do Norte ainda tem dificuldades com a miniaturização dos componentes da ogiva e, provavelmente, no trabalho de engenharia do sistema iniciador.As informações sobre seus estoques de plutônio, material físsil da bomba, são diferentes. Seriam 30 quilos em novembro de 2007. Esse número desceu para 26 quilos pouco tempo depois, quando os técnicos norte-coreanos anunciaram o tamanho do lote destinado ao programa militar. A Atomic Scientists estima que o número esteja correto. O porta-voz da North Korea Advisory sustenta que Pyongyang poderia produzir de 8 a 12 unidades de capacidade variável. Sob pressão, o país estaria capacitado a conduzir uma nova explosão em seis meses. O regime de Kim Jong-il sustenta o terceiro maior Exército do planeta, menor apenas que o dos EUA e o da China. Ele reúne 1,6 milhão de homens e mulheres. O país gasta 30% do PIB de US$ 40 bilhões no orçamento de Defesa. A força terrestre está revitalizando a frota de 3.500 tanques, armados com canhões de 125 mm. A China fornecerá em breve um lote suplementar de 1.500 novos blindados pesados. A aviação militar negocia a compra de 150 novos caças russos Sukhoi-30. Os mísseis leves lançados ontem são táticos, com alcance máximo de 150 quilômetros e não podem ser armados com ogivas nucleares.

Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

26 de maio de 2009 | 00h00

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