Testemunha-chave alivia acusações contra Sarkozy

Claire Thibaut, ex-contadora da bilionária Liliane Bettencourt, a maior acionista do grupo L"Oréal, voltou atrás ontem em parte de suas denúncias sobre o suposto envolvimento do presidente da França, Nicolas Sarkozy, e de seu partido, a União por um Movimento Popular (UMP), em um esquema de financiamento ilegal de campanha.

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2010 | 00h00

Em depoimento à polícia, Claire desmentiu as datas que havia revelado e, mais importante, negou ter afirmado ao site Mediapart que Sarkozy e seus representantes recebiam envelopes com dinheiro vivo para financiar ações políticas com um caixa 2.

A mudança no depoimento da contadora é um novo episódio no folhetim envolvendo o Palácio do Eliseu. Depois de dois dias de silêncio, Claire foi localizada no sul do país, na casa de parentes, e foi ouvida por oficiais da Subdireção de Casos Econômicos e Financeiros (Sdaef), divisão da Polícia Judiciária da França.

Trechos de seu testemunho vazaram para a imprensa. Claire confirmou aos policiais que "muitos políticos receberam dinheiro" do suposto esquema de caixa 2 financiado pela bilionária. Mas, segundo sua nova versão, a data de um dos saques de ?50 mil, que teriam sido entregues ao ex-tesoureiro de campanha de Sarkozy, o atual ministro do Trabalho, Eric Woerth, estava incorreta: não era 26 de março de 2007, mas "entre março e abril de 2007".

Na quarta-feira, a polícia confirmou que um saque de ?50 mil fora feito no dia e no banco indicados pela contadora. Além disso, Claire afirma agora que não se referiu ao presidente em sua entrevista, na qual disse que Sarkozy costumava receber doações ilegais de Liliane. "É romance do Mediapart", garantiu. "Eu jamais disse que envelopes eram entregues regularmente ao senhor Sarkozy." A contadora, no entanto, não descartou a possibilidade de o presidente ter sido beneficiado pelo eventual esquema.

Madame Bettencourt. Pelo gabinete da acionista da L"Oréal, disse Claire, passavam políticos como o ex-presidente Jacques Chirac, o ex-premiê Edouard Balladur, a viúva do ex-presidente François Mitterrand, Danielle, e o atual chanceler, Bernard Kouchner.

"Madame Bettencourt dizia que precisava de somas no mesmo dia, em razão de suas visitas ou de seus compromissos", contou Claire.

As dúvidas que cercam o caso devem colocar o governo ainda mais na defensiva. Desde quarta-feira, o primeiro-ministro da França, François Fillon, está encarregado de unir os aliados do governo em defesa de Woerth, até agora o principal alvo das denúncias.

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