Testemunha-chave em caso de ex-espião morto depõe

Uma testemunha-chave no caso do ex-agente da KGB Alexander Litvinenko, morto por envenenamento, foi interrogado nesta segunda-feira, 11, por investigadores britânicos em um hospital em Moscou, onde está internado com suspeitas de intoxicação por elemento radioativo, informaram meios de comunicação russos. Enquanto isso, autoridades alemãs encontraram traços de polônio-210, a rara substância radioativa que matou Litvinenko, em locais visitados por Andrei Lugovoi, seu contato russo, antes de se encontrar com o ex-espião. Lugovoi, empresário na Rússia, foi interrogado nesta segunda pela procuradoria russa e por detetives da Scotland Yard.O empresário, também ex-agente do Serviço Federal de Segurança (FSB, antigo KGB), prestou o depoimento na qualidade de "testemunha". O interrogatório foi adiado em várias ocasiões na semana passada por motivos de saúde. Lugovoi afirma que não tem relação com a morte de Litvinenko.Os representantes da Procuradoria russa e da Scotland Yard interrogaram na semana passada outro ex-colega de Litvinenko, Dmitri Kovtun, que se encontra em estado grave devido à radiação.A ex-mulher de Dmitry Kovtun, que se encontrou com Litvinenko no dia em que ele adoeceu, o atual parceiro dela e seus dois filhos pequenos também tiveram resultados positivos para a substância altamente radioativa, disse a repórteres em Hamburgo o investigador alemão Thomas Menzel.Os dois ex-agentes apresentam sintomas similares aos detectados no organismo de Litvinenko, que morreu envenenado em 23 de novembro devido à alta dose de polônio-210.Lugovoi e Kovtun teriam se encontrado em 1º de novembro com Litvinenko no hotel Millenium, em Londres, no mesmo dia em que este último foi internado com sintomas de envenenamento.Além disso, Lugovoi se reuniu em quatro ocasiões com Litvinenko na capital inglesa, entre meados de outubro e o dia da hospitalização do ex-espião.Os especialistas da Scotland Yard encontraram "pequenos" rastros de radiação na embaixada do Reino Unido em Moscou, onde Lugovoi solicitou um visto em 24 de novembro.Os detetives britânicos também investigam os rastros de polônio-210 encontrados nos aviões nos quais Lugovoi voou para Londres e retornou a Moscou, e também nos quartos de hotel onde ficou hospedado.Os representantes da procuradoria russa dirigem desde terça-feira passada, em conjunto com nove detetives britânicos, os interrogatórios de várias testemunhas do caso que, em sua maioria, são ex-agentes secretos.Ao chegar a Moscou, a Scotland Yard apresentou à procuradoria russa uma lista com os nomes de cinco testemunhas das quais queria obter depoimento.

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