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Testemunha de perícia aponta falhas em trabalho

Crítica de garçonete convocada para ver ação dos peritos após morte de promotor é rebatida por investigadora

BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2015 | 02h03

O depoimento de uma garçonete que trabalha em Puerto Madero, bairro em que morava o promotor Alberto Nisman, abriu uma nova crise na investigação ontem. Natália Fernández, de 26 anos, disse a meios do Grupo Clarín - em disputa judicial com o kirchnerismo em função da Lei de Mídia, que obriga a empresa a se desmembrar -, que os peritos tomavam chimarrão e comiam doces durante o recolhimento de provas. Ela afirmou ainda que a deixaram usar um dos banheiros do apartamento do 13.º andar da torre Le Parc e os policiais manusearam sem cuidado o celular de Nisman, que "tocava sem parar".

A promotora Viviana Fein, que comanda a investigação, desmentiu a garçonete, convocada na madrugada da morte por policiais para servir de testemunha. "Não vou chamá-la para depor sobre essas afirmações absurdas", disse Fein. Críticos de Cristina afirmam que a apuração comandada por Fein está sendo dirigida pela procuradora-geral, Alejandra Gils Carbó, ligada à presidente.

Exames. Devem ser conhecidos hoje laudos relevantes sobre o caso. O exame toxicológico demonstrará se Nisman estava sob efeito de alguma substância - informações extraoficiais sugerem que sim, mas há dúvida se seria uma medicação, álcool ou alguma outra droga. O tipo de substância poderia fortalecer ou enfraquecer as teses de suicídio ou homicídio, caso se descubra se ele a tomou de forma voluntária ou não.

Também deve sair o resultado de um exame feito a partir de amostras do crânio. Até agora, a linha oficial de investigação pende para a hipótese de suicídio, ainda que estimulado por uma ameaça. Peritos privados contestam essa teoria em razão da trajetória ascendente da bala, o ponto onde ela entrou (atrás da orelha direita) e o tipo de arma, calibre 22 - suicidas tendem a preferir mais potentes. / R.C.

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