Testemunha diz que ex-ministro manteve contatos com a máfia

O prisioneiro mafioso Antonio Giuffri declarou hoje ao tribunal que um importante chefe do seu bando enviou, em meados dos anos 80, um mediador para entrar em contato com o ex-primeiro-ministro italiano Giulio Andreotti "para interceder em favor da Cosa Nostra". O ex-premier, que foi considerado culpado em novembro de suposto envolvimento em um assassinato ligado à máfia, está sendo hoje acusado em separado por um caso de associação com o grupo criminoso. Andreotti, de 83 anos, nega todas as acusações. Segundo o relato de Giuffre, o chefe da Máfia se mostrou depois "satisfeito por ter recebido respostas positivas" de Andreotti. O prisioneiro começou a cooperar com a polícia italiana em junho, orientando nas buscas a numerosas figuras da Máfia. No entanto, a testemunha disse ter ouvido falar dos contatos através de segundos ou terceiros - um fato que os advogados de Andreotti usaram para criticar o julgamento. "Não existe um elemento concreto", disse Gioacchino Sbacchi, um dos defensores do ex-premier, à ANSA. Em novembro, Andreotti foi condenado por ter ordenado em 1979 o assassinato de um jornalista investigativo - uma decisão judicial condenada por muitos políticos italianos. Andreotti não está detido e apelou da sentença.A sessão do tribunal nesta quinta-feira diz respeito a um processo aberto por promotores de Palermo por acusações de associação com a Máfia e, neste caso, as principais testemunhas são ex-membros do crime organizado. Andreotti, que foi sete vezes primeiro-ministro e é atualmente senador vitalício, contesta ter sido procurado por mafiosos pedindo sua intervenção em favor da Cosa Nostra.

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