Testemunha dos abusos da ditadura desaparece na Argentina

A Polícia argentina tentava nesta quinta-feira, 28, encontrar um pedreiro que há meses testemunhou no Parlamento para evitar que um ex-policial acusado de violações dos direitos humanos assumisse sua cadeira como deputado.Luis Gerez saiu na noite da quarta-feira da casa de amigos na cidade de Escobar para comprar carne e desde então ninguém voltou a vê-lo, disseram hoje fontes policiais ao revelar o conteúdo da denúncia feita por amigos do pedreiro.O desaparecimento de Gerez, de 51 anos, causou profunda preocupação nas autoridades argentinas, que buscam desde 18 de setembro outro pedreiro, Jorge Julio López, cujo paradeiro é desconhecido desde que ele testemunhou no julgamento de um repressor da última ditadura militar (1976-1983).López, de 77 anos, desapareceu após testemunhar no julgamento do ex-comissário Miguel Etchecolatz, condenado à prisão perpétua por "genocídio" em razão de crimes cometidos durante a ditadura.Em entrevista coletiva, a família de Gerez fez um desesperado apelo para que a população divulgue informações sobre o paradeiro do pedreiro, definido por sua esposa como "um homem íntegro e um militante popular reconhecido".Gerez, um ex-militante da Juventude Peronista, acusou o ex-comissário Luis Patti de uma tortura ocorrida em 1972 numa delegacia de Escobar, cerca de 45 quilômetros ao noroeste da capital argentina.O pedreiro relatou que, apesar ter os olhos vendados, reconheceu a voz de Patti como um dos policiais que o torturaram para que confessasse um crime que não havia cometido.Gerez foi uma das testemunhas convocadas este ano por uma comissão parlamentar para impedir que Patti assumisse como deputado, o que finalmente ocorreu em maio sob o argumento de que o ex-policial não tinha "idoneidade moral" para ocupar uma cadeira na câmara baixa.Patti, de 53 anos, ganhou uma das cadeiras como deputado representando o direitista Partido Unidade Federalista (Paufe) nas eleições legislativas de 2005.Em entrevista a uma emissora de TV, Patti qualificou de "grave" o desaparecimento de Gerez.

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