Testemunha liga militante islâmico a seqüestro de Daniel Pearl

Um motorista de táxi afirmou hoje ter visto Daniel Pearl entrando em um carro com o militante islâmico Ahmed Saeed no dia em que o jornalista foi seqüestrado no Paquistão. A afirmação foi feita no primeiro dia do julgamento de Saeed e de três outros suspeitos no caso do repórter norte-americano. Todos os quatro declararam-se inocentes das acusações de assassinato, seqüestro e terrorismo antes do testemunho do taxista Nasir Abbas, a única testemunha ocular convocada pela justiça paquistanesa. O julgamento continua fechado a jornalistas e membros do público, embora pessoas das famílias de Saeed e de dois outros acusados tenham recebido autorização para entrar no tribunal. Abbas contou, segundo o procurador Raja Quereshi, que em 22 de janeiro levou Pearl ao Hotel Metrópole, no centro de Karachi. Enquanto esperava do lado de fora do vizinho Restaurante Village o taxista viu um carro branco se aproximar do hotel e disse que Saeed desceu do veículo e cumprimentou Pearl, que aparentemente o aguardava. Os dois, então, entraram no carro de Saeed. Pearl, que era correspondente do The Wall Street Journal, desapareceu no mesmo dia quando, ao que parece, investigava laços entre extremistas islâmicos paquistaneses e Richard C. Reid, o homem detido em dezembro do ano passado em um vôo Paris-Miami com explosivos em seus sapatos. Dias mais tarde, e-mails enviados pelo previamente desconhecido Movimento Nacional para a Restauração da Soberania Paquistanesa anunciaram o seqüestro de Pearl e mostrou fotografias do jornalista no cativeiro. Uma fita de vídeo recebida por diplomatas norte-americanos em 21 de fevereiro confirmou a morte de Pearl, cujo corpo ainda não foi encontrado. Investigadores norte-americanos rastrearam as mensagens eletrônicas e chegaram a Fahad Naseen, que, por sua vez, identificou Saeed como o mentor do seqüestro. Salman Saqiq e o ex-policial xeque Mohammd Adeel são os outros dois acusados.

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