Testemunha mostra queimaduras durante julgamento de Saddam

Um funcionário de segurança curdo mostrou, nesta terça-feira, durante o julgamento de Saddam Hussein, queimaduras que teriam sido causadas durante ataques com armas químicas realizados pelas topas do ex-líder no norte do Iraque em 1988. "Uma esquadrilha de aviões apareceu no céu. Ele s começaram a bombardear a área e as bombas eram de dois tipos - algumas tinham explosões altas, enquanto outras eram, de alguma forma, silenciosas, disse o major Iskandar Mahmoud Abdul-Rahman, de 41 anos, enquanto recontava o ataque à liderança de seu grupo, União patriótica do Curdistão, em 20 de março de 1988. "Nós fomos ao chão; uma fumaça branca nos cobriu, e tinha um cheiro horrível", disse o homem, vestido de terno e com um broche com a nbandeira do Curdistão. Ele disse que alguns minutos depois, ele fugiu para outra área aonde sua saúde piorou. "Meu coração batia acelerado. Comecei a vomitar. Me senti tonto. Meus olhos queimava e eu não conseguia ficar de pé", acrescentou, em curdo, através de um tradutor árabe. A testemunha afirmou ter ido a dois hospitais no Irã para tratamento. No segundo hospital, ele teria ficado inconsciente durante dez dias. "Os médicos freqüentemente me davam injeções e remédios, inclusive colírio. Eles cortaram minha pele queimada com tesouras. Posso mostrar as cicatrizes ainda visíveis em meu corpo", disse, e acrescentou que a sua visão ainda é prejudicada. Em junho de 1988, Abdul-Rahman disse que a sua saúde melhorou, e ele recebeu alta do hospital. Sentado no banco das testemunhas, Abdul-Rahman tirou sua camisa azul e mostrou suas queimaduras. Mas insistiu que não queria ser fotografado. Um repórter que assistiu dentro da corte afirmou que ele tinha diversas cicatrizes pretas, com aproximadamente 20 centímetros em suas costas. O advogado-chefe de Saddam, Khalil al-Dulaimi, e o promotor Munqith al-Faroon se aproximaram para olhar de perto. A audiência desta terça-feira foi a nona desde o início do julgamento de Saddam em 21 de agosto, sob acusações de atrocidades contra os curdos durante a campanha da Anfal no norte do Iraque, no fim dos anos 1980. A promotoria alega que 180 mil curdos morreram assassinados com armas químicas. Saddam, seu primo "Químico" Ali al-Majid e outros cinco são acusados pelo genocídio do povo curdo. Todos podem ser condenados a pena de morte. Saddam, vestido com um terno preto e um lenço branco em seu bolso, ficou sentado em silêncio, tomando notas.Saddam ainda espera um veredicto de seu julgamento de 16 de outubro, em seu primeiro julgamento, pelo assassinato de 148 xiitas em 1982, após uma tentativa de assassinato contra o ex-ditador. Ele e outros sete acusados podem encarar a pena de morte.

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