Testemunha: soldados americanos eram instruídos a matar

Um soldado norte-americano testemunhou nesta quarta-feira que quatro colegas seus acusados de matar três iraquianos durante um ataque ameaçaram matá-lo caso ele contasse a alguém sobre as execuções. O soldado Bradley Mason, testemunhando em uma audiência para definir se os quatro soldados devem ou não ir a julgamento, também contou que o comandante de sua brigada, um veterano que atuou na guerra da Somália, mandou seus soldados caçarem os insurgentes iraquianos para depois "matá-los". Mason não é um dos acusados.Os supostos assassinatos de 9 de maio ocorridos em Samarra, a 95 milhas ao norte de Bagdá, manchou ainda mais a reputação dos soldados norte-americanos que atuam no Iraque e aumentou o ódio da população em relação às suas presenças.Marines norte-americanos são acusados de matar dezenas de civis no Iraque, incluindo o suposto massacre de mais de 20 pessoas em Haditha. Uma outra audiência, sobre o suposto estupro e assassinato de uma garota iraquiana de 14 anos por cinco soldados americanos, está marcada para o final deste mês. Mason confessou que seu colega de farda William B. Hunsaker o ameaçou um dia após os supostos assassinatos. Ele contou que foi acuado pelo sargento Raymond L. Girouard e pelo soldado Corey R. Clagett, ambos de sua equipe, em 29 de maio, quando estava a caminho da Divisão de Investigação Criminal. Segundo Mason, o sargento lhe disse: "Se você disser algo eu vou te matar." Girouard, Hunsaker, Clagett e o também militar Juston R. Graber são acusados de assassinato e outros crimes. Os três primeiros também são acusados de obstrução de justiça por supostamente terem ameaçado matar Mason. Regra: matar insurgentesMason disse que antes de embarcarem para a missão de busca, as regras de combate foram dadas claramente pelo comandante da brigada, o coronel Michael Steele. "Ele (Steele) disse apenas que a regra de combate era ´matar todos os homens insurgentes´." "(Steele) disse que o local era uma área perigosa e que algumas forças especiais estiveram lá antes, e eles foram destruídos. Então eles nos mandaram para lá", contou Mason.Descrevendo os eventos de 9 de maio, Mason afirmou que estava junto dos quatro acusados durante uma invasão a uma casa cujo objetivo era "pegar todos os caras ruins". Dentro da casa, a unidade achou e deteve três homens que se escondiam atrás de duas mulheres. Os soldados encontraram um revólver, um rifle AK-47 e algumas peças soltas de armas e balas. Mason, então, falou a Girouard que Clagett e Hunsaker iam matar os três presos. "Eles apenas sorriram", contou. "Eu disse (a Girouard) que não iria fazer isso. Que isso era assassinato." Em seguida, o soldado disse que ouviu os tiros. O advogado de Clagett, Christopher Bergrin, informou que quer chamar o comandante Steele para testemunhar durante a audiência. No entanto, o comandante aparentemente assinou um testemunho invocando seu direito de não testemunhar.Mason, porém, comentou que o militar diria que seus soldados fizeram bem em matar um iraquiano. "Eu sei que ele diria que fizemos um bom trabalho após matar um deles", informou.

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